Estudos anteriores apontaram a existência de diferenças de gênero na apresentação, cuidados e resultados em pacientes com acidente vascular cerebral isquêmico agudo. Entretanto, essas diferenças foram menos estudadas em relação aos eventos cerebrovasculares isquêmicos pequenos.

Nesse sentido, pesquisadores apresentaram durante a 5ª European Stroke Organisation Conference (ESOC 2019) um estudo para compreender as diferenças de gênero nos sintomas, diagnósticos e resultados entre os pacientes que se apresentaram ao pronto-socorro com ataque isquêmico transitório ou evento neurológico pequeno. Os investigadores levantaram a hipótese de que, em comparação com os homens, as mulheres relatam mais frequentemente sintomas não-focais e são mais propensas a receber um diagnóstico de uma condição que mimetiza o acidente vascular cerebral (AVC). Também foram avaliadas as diferenças de gênero na recorrência do AVC dentro de 90 dias, bem como o desfecho composto de AVC, infarto do miocárdio ou morte dentro desse mesmo período.

Para o estudo, que também foi publicado no periódico científico JAMA Neurology, um total de 1.729 pacientes consecutivos, com sintomas neurológicos transitórios agudos ou pequenos, foram encaminhados para avaliação neurológica.

O principal desfecho foi o diagnóstico clínico final de um evento isquêmico cerebral ou de uma condição que mimetizava o AVC. Os desfechos secundários foram a recidiva em 90 dias de um AVC e um resultado composto de AVC, infarto do miocárdio ou morte em 90 dias. A associação entre a presença de sintomas (focais vs não focais) e diagnóstico clínico também foi avaliada.

Entre os 1.648 pacientes incluídos no estudo, 770 (46,7%) eram mulheres e a média de idade (intervalo interquartil) era de 70 (59-80) anos. Destes, 1.509 pacientes (91,6%) foram submetidos a ressonância magnética cerebral, e 1.582 (96,0%) completaram o acompanhamento de 90 dias. Entre as mulheres, 522 de 770 (67,8%) tiveram menor probabilidade que os homens (76,8%) de receber o diagnóstico de isquemia cerebral. Entretanto, a recorrência de AVC e desfecho composto em 90 dias foram semelhantes entre homens e mulheres. Não foram encontradas diferenças significativas entre os gêneros para os sintomas apresentados. Em comparação com os pacientes sem sintomas neurológicos focais, aqueles com sintomas focais e não focais tiveram uma maior probabilidade de receber um diagnóstico de isquemia cerebral, e o risco foi maior entre pacientes que apresentavam apenas sintomas focais. O gênero não modificou essas associações.
Os autores do estudo concluíram que, entre pacientes com sintomas neurológicos transitórios agudos ou leves, as mulheres apresentam uma menor probabilidade do que os homens de receber um diagnóstico de isquemia cerebral, mesmo quando apresentam sintomas semelhantes. Além disso, os riscos de eventos vasculares subsequentes foram semelhantes entre mulheres e homens, sugerindo que estão sendo perdidas importantes oportunidades para a prevenção desses eventos.

 
Acesso em 25 Jul 2019. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamaneurology/article-abstract/2734651

Entre pacientes com sintomas neurológicos transitórios agudos ou leves, as mulheres apresentam uma menor probabilidade do que os homens de receber um diagnóstico de isquemia cerebral, mesmo quando apresentam sintomas semelhantes.

REFERÊNCIAS

  1. Yu AYX, Penn AM, Lesperance ML, Croteau NS, Balshaw RF, Votova K, et al.

    Sex Differences in Presentation and Outcome After an Acute Transient or Minor Neurologic Event.

    JAMA Neurol. 2019 May 22.