Associação entre prática de atividade física de lazer ao longo da vida adulta, mortalidade por todas as causas e por causa específica

Os benefícios da prática de atividade física no lazer (AFL) na meia-idade são bem estabelecidos, contudo, seus efeitos em longo prazo sobre a saúde e as mudanças no padrão da AFL entre o período da adolescência até a meia-idade ainda não são completamente conhecidos.

O objetivo deste estudo, publicado no Journal of the American Medical Association, foi avaliar se existe uma associação entre os padrões de AFL ao longo da vida e a mortalidade.

Trata-se de um estudo de coorte prospectivo que utilizou dados do ensaio National Institutes of Health-AARP (anteriormente, American Association of Retired Persons) Diet and Health Study, vigente desde 1995. A análise dos dados de 315.059 adultos do estudo foi realizada entre março de 2017 e fevereiro de 2018. Os dados sobre a AFL foram coletados por autorrelato (horas por semana) durante uma entrevista no início do estudo e analisados em grupos de idades, a saber: 15 a 18, 19 a 29, 35 a 39 e 40 a 61 anos. Foram adotados como desfechos primários os registros de mortalidade por todas as causas, mortalidade relacionada à doença cardiovascular (DCV) e por câncer disponível até 31 de dezembro de 2011.

Dos 315.059 participantes, que tinham entre 50 e 71 anos de idade no momento do registro, 183.451 (58,2%) eram homens. Foram identificadas 10 trajetórias de AFL, categorizadas como manutenção, aumento e diminuição da AFL ao longo do tempo, assim como 71.377 mortes por todas as causas, além de 22.219 mortes por DCV e outras 16.388 por câncer. Em comparação com os participantes que foram consistentemente inativos durante toda a vida adulta, os participantes que mantiveram a maior quantidade de AFL em cada período de idade apresentaram os menores riscos de mortalidade por todas as causas, mortes relacionadas à DCV e câncer. Por exemplo, em comparação com os participantes que foram consistentemente inativos, a manutenção de maiores quantidades de AFL foi associada a uma menor mortalidade por todas as causas (razão de risco [RR] 0,64; IC 95% 0,60-0,68) mortes relacionadas à DCV (HR 0,58; IC 95%, 0,53-0,64) e de mortes relacionadas ao câncer (HR, 0,86; IC 95%, 0,77-0,97). Os resultados também mostraram que os adultos que foram menos ativos durante a maior parte da vida adulta, mas que posteriormente (40-61 anos de idade) aumentaram a AFL, também apresentaram menor risco para mortalidade por todas as causas (HR, 0,65; IC 95%, 0,62-0,68), por DCV (HR, 0,57; IC95%, 0,53-0,61) e por câncer (HR, 0,84; IC 95%, 0,77-0,92).
Os pesquisadores concluíram que houve uma associação entre a manutenção de níveis mais elevados de AFL, assim como o aumento da AFL no final da vida adulta, com um baixo risco de mortalidade, sugerindo que o início da atividade física, ainda que na meia-idade, reflete efeitos positivos à saúde. Os autores sugerem que os adultos inativos devem ser encorajados a se tornarem mais ativos, enquanto que os adultos mais jovens que já são ativos podem se esforçar para manter o nível de atividade à medida que envelhecem.


Acesso em 15 Mai 2019. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2727269

Houve uma associação entre a manutenção de níveis mais elevados de AFL, assim como o aumento da AFL no final da vida adulta, com um baixo risco de mortalidade, sugerindo que o início da atividade física, ainda que na meia-idade, reflete efeitos positivos à saúde.

REFERÊNCIAS

  1. Saint-Maurice PF, Coughlan D, Kelly SP, Keadle SK, et al.

    Association of Leisure-Time Physical Activity Across the Adult Life Course With All-Cause and Cause-Specific Mortality.

    JAMA Netw Open. 2019 Mar 1;2(3):e190355.