A síndrome de burnout é descrita como um estado de exaustão, que pode ocorrer em uma ampla gama de contextos ocupacionais, onde se experimenta uma menor eficácia profissional. Outra definição para o burnout seria a presença de um estado de esgotamento psicofísico, deterioração das relações e um sentimento de ineficácia e desilusão profissional.

O burnout está relacionado a deficiências no funcionamento cognitivo e afeta a saúde mental e física. Em consequência, tem um sério impacto socioeconômico e, portanto, há uma necessidade de reconhecer seus sinais precursores. Os fatores que contribuem para o esgotamento estão relacionados com a carga de trabalho, supervisão, remuneração, comunidade, parcialidade e valores. Os desajustes crônicos entre os indivíduos e seus ambientes de trabalho levam ao stress e, consequentemente, ao burnout. Alguns autores propõem que quanto maior a percepção do desajuste entre o indivíduo e seu trabalho, maior será a probabilidade de burnout. Inversamente, quanto maior a consistência, maior a probabilidade de engajamento com o trabalho.

Os antecedentes individuais de burnout envolvem traços de personalidade, como altos níveis de neuroticismo, afetividade negativa e ansiedade. Também existe uma tendência científica apoiando a sobreposição empírica da exaustão emocional com a depressão. Essa sobreposição com outras síndromes e distúrbios, como a depressão e ansiedade, levanta a questão de se o burnout é ou não uma síndrome distinta.

Desta forma, pesquisadores compararam duas escalas distintas de avaliação de burnout, analisando suas conexões com variáveis organizacionais e individuais.

Para o estudo, que foi publicado na revista científica International Journal of Occupational Medicine and Environmental, os investigadores analisaram um grupo de 100 funcionários formado por 40 homens e 60 mulheres, que apresentavam uma média de idade de 36,03 anos. Os participantes tiveram o burnout avaliado pelas escalas Maslach Burnout Inventory - General Survey (MBI-GS) e Link Burnout Questionnaire (LBQ). Os fatores organizacionais e individuais foram analisados pelos questionários/escalas Areas of Worklife Survey, Inventário de Ansiedade Traço-Estado (IDATE), NEO Five-Factor Inventory Inventário de Ansiedade de Beck.

Os resultados revelaram que ambas as escalas para a avaliação do burnout estão significativamente relacionadas a fatores organizacionais e individuais. No entanto, o MBI-GS foi definido principalmente por variáveis organizacionais, enquanto que o LBQ esteve fortemente relacionado a características individuais.
Os autores do estudo concluíram que, as medidas encontradas revelam sobreposições significativas com a depressão e ansiedade, confirmando que o burnout não se restringe aos determinantes relacionados ao trabalho. Entre as características individuais, a depressão revelou ser a variável mais importante. No entanto, os autores não podem supor que os sintomas depressivos sejam efeitos ou causas de burnout, podendo apenas afirmar que este é um componente importante da síndrome de burnout. As interdependências significativas entre o burnout e a depressão podem indicar que os sintomas de um distúrbio podem intensificar os sintomas do outro. Por outro lado, o contexto organizacional esteve relacionado significativamente com o burnout e algumas dimensões do burnout estiveram relacionadas apenas às características do trabalho.

 
Acesso em 25 Jul 2019.
Disponível em: http://ijomeh.eu/pdf-93187-39396?filename=Occupational%20burnout%20and.pdf

As medidas encontradas revelam sobreposições significativas com a depressão e ansiedade, confirmando que o burnout não se restringe aos determinantes relacionados ao trabalho.

REFERÊNCIAS

  1. Golonka K, Mojsa-Kaja J, Blukacz M, Gawłowska M, Marek T.

    Occupational burnout and its overlapping effect with depression and anxiety.

    Int J Occup Med Environ Health. 2019 Apr 3;32(2):229-244.