Impacto da utilização de profissionais assistentes na produtividade dos médicos emergencistas e no tempo de atendimento dos pacientes: estudo multicêntrico randomizado

O objetivo deste estudo, publicado no British Medical Journal, foi investigar as alterações de produtividade quando se utilizou um profissional especializado para auxiliar os médicos de departamentos de emergência nas tarefas administrativas gerais na Austrália. Também foi objetivo dos autores avaliar o efeito destes assistentes sobre medidas específicas de rendimento.

Trata-se de um ensaio clínico randomizado e multicêntrico realizado em 5 departamentos de emergência de Victoria, Austrália, que utilizou assistentes clínicos em um período de avaliação pós-treinamento. Os locais de intervenção eram amplamente representativos dos departamentos de emergência australianos públicos (urbano, terciário, regional, pediátrico) e privados, sem fins lucrativos. Participaram deste estudo 88 médicos permanentes, assalariados e que trabalhavam mais de um turno por semana, incluindo médicos consultores de emergência ou médicos nos anos finais de residência. Um total de 12 assistentes clínicos receberam treinamento em um local especifico e, posteriormente, passaram por todos os demais departamentos de emergência do estudo. Os médicos trabalhavam em seus turnos de rotina e recebiam aleatoriamente um assistente durante o turno. Entre novembro de 2015 e janeiro de 2018, cada local necessitou um mínimo de 100 turnos com e sem a presença de assistentes. Foram considerados como principais desfechos os seguintes fatores: produtividade dos médicos (total de pacientes, pacientes primários); tempo de atendimento dos pacientes (tempo da porta das instalações até o médico, tempo de permanência); produtividade dos médicos nas regiões dos departamentos de emergência. Também foi analisada a relação custo-benefício.

Os dados foram coletados a partir de 589 turnos com assistentes e 3.296 turnos sem assistentes, correspondendo a um total de 5.098 e 23.296 pacientes, respectivamente. Os resultados mostraram que os assistentes clínicos aumentaram a produtividade dos médicos de 1,13 (intervalo de confiança de 95% 1,11 para 1,17) para 1,31 (1,25 a 1,38) pacientes por hora por médico, representando um ganho de 15,9%. As consultas primárias aumentaram de 0,83 (0,81 a 0,85) para 1,04 (0,98 a 1,11) pacientes por hora por médico, representando um ganho de 25,6%. Não houve diferença no tempo da porta das instalações até ser atendido pelo médico. A mediana do tempo de permanência reduziu de 192 minutos (intervalo interquartil 108-311) para 173 minutos (96-208), representando uma redução de 19 minutos (P < 0,001). Os maiores ganhos foram alcançados quando os assistentes estavam atuando conjuntamente com médicos veteranos nos processos de triagem. A análise de custo-benefício baseada em ganhos de produtividade e rendimento revelou uma posição financeira favorável com o uso dos assistentes.
Os pesquisadores concluíram que os assistentes melhoraram a produtividade dos médicos nos departamentos de emergência, particularmente durante as consultas primárias, e diminuíram o tempo de permanência dos pacientes. Os autores sugerem que trabalhos adicionais devem avaliar o papel do assistente clínico em países com sistemas de saúde semelhantes aos da Austrália.


Acesso em 01 Jul 2019. Disponível em: https://www.bmj.com/content/364/bmj.l121

Os assistentes melhoraram a produtividade dos médicos nos departamentos de emergência, particularmente durante as consultas primárias, e diminuíram o tempo de permanência dos pacientes.

REFERÊNCIAS

  1. Walker K, Ben-Meir M, Dunlop W, Rosler R, West A, O'Connor G, et al.

    Impact of scribes on emergency medicine doctors' productivity and patient throughput: multicentre randomised trial.

    BMJ. 2019 Jan 30;364:l121.