Avaliação da cicatriz endoscópica após ressecção endoscópica de cicatrizes da mucosa colorretal: quando é necessário biópsia (ensaio ESCAPE - Scar Assessment Project for Endoscope)

A realização de biópsias para avaliação endoscópica de cicatrizes após a ressecção endoscópica da mucosa colorretal (REM) ainda não é consensual, mesmo quando a endoscopia for negativa, assim como o diagnóstico endoscópico de adenoma recorrente pode não requerer biópsia antes das reintervenções endoscópicas. Neste estudo, publicado no Gut, os autores avaliaram prospectivamente várias modalidades endoscópicas no diagnóstico de recorrências após a realização de uma REM.

Trata-se de um estudo prospectivo de pacientes submetidos à colonoscopia após uma REM para neoplasias colorretais grandes (≥ 20 mm). A predição de recorrência e o nível de confiança foram estimados pelos endoscopistas a partir de 4 modalidades de imagem: luz branca de alta definição (LB) e imagem de banda estreita (IBE) com e sem foco próximo (FP). As imagens foram avaliadas off-line separadamente por 26 endoscopistas experientes.

Foram incluídos um total de 230 pacientes com 255 cicatrizes de REM. A prevalência de adenoma recorrente foi de 24%. Os valores diagnósticos foram elevados para todos os modos de imagem [valor preditivo negativo (VPN) ≥ 97%, valor preditivo positivo (VPP) ≥ 81%, sensibilidade ≥90%, especificidade ≥93% e acurácia ≥93%]. Em casos de alta confiabilidade, a IBE com FP apresentou VPN de 100% (IC 95% 98% a 100%) e sensibilidade de 100% (IC 95% 93% a 100%). Os resultados também mostraram que o uso de clipes na REM inicial aumentou a imprecisão diagnóstica [OR ajustado = 1,68 (IC 95% 1,01 a 2,75)]. Na avaliação off-line, a especificidade foi alta para todos os modos de imagem [média: ≥93% (intervalo: 55% - 100%)], enquanto que a sensibilidade foi significativamente maior para IBE-FP [82% (72% -93%)] comparado com LB [69% (38% - 86%); p <0,001], LB-FP [68% (55% - 83%); p <0,001] e IBE [71% (59% - 90%); p <0,001].
Os pesquisadores concluíram que há sensibilidade e precisão elevadas para todas as quatro modalidades de imagem, especialmente para a imagem de banda estreita com foco próximo (IBE-FP), no diagnóstico de neoplasia recorrente após ressecção endoscópica da mucosa colorretal (REM). Segundo os autores, os dados sugerem fortemente que em casos de diagnóstico óptico negativo de alta confiabilidade baseado no IBE-FP, não é necessária a realização de biópsias para confirmar a ausência de recorrência durante o acompanhamento da REM colorretal. Os autores destacam, ainda, que um diagnóstico óptico positivo de alta confiança pode levar à ressecção imediata de qualquer área suspeita, e que em todos os casos de baixa confiabilidade a biópsia ainda é necessária.


Acesso em 18 Jul 2019.
Disponível em: https://gut.bmj.com/content/early/2019/02/02/gutjnl-2018-316574

Há sensibilidade e precisão elevadas para todas as quatro modalidades de imagem, especialmente para a imagem de banda estreita com foco próximo (IBE-FP), no diagnóstico de neoplasia recorrente após ressecção endoscópica da mucosa colorretal (REM).

REFERÊNCIAS

  1. Kandel P, Brand EC, Pelt J, Ball CT, Chen WC, Bouras EP, et al.

    Endoscopic scar assessment after colorectal endoscopic mucosal resection scars: when is biopsy necessary (ESCAPE trial).

    Gut. 2019 Jan 11.