A acne é um problema comum na população mundial, afetando mulheres jovens e após a puberdade. Sua etiologia é multifatorial, com os androgênios podendo desempenhar um papel fundamental tanto no seu desenvolvimento quanto na sua gravidade.

Outros hormônios metabólicos e sexuais parecem também interferir na doença: por exemplo, níveis elevados de sulfato de di-hidroepiandrosterona (DHEAS), di-hidrotestosterona (DHT) e fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1 (IGF-1) correlacionam-se positivamente, em mulheres, com maior número de lesões de acne.

Em mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), a frequência de acne é significativa. Um estudo com 401 mulheres com suspeita de SOP verificou acne em 61% daquelas que apresentavam critérios diagnósticos para a síndrome. Esse mesmo estudo não observou diferenças na quantidade e na distribuição das lesões nem na associação entre acne e valores androgênicos elevados.

Os androgênios testosterona, DHT e DHEAS aumentam o tamanho e a secreção das glândulas sebáceas. Além das produções adrenal, ovariana e testicular, os androgênios também podem ser produzidos localmente – por exemplo, conversão da testosterona em DHT pela 5 alfarredutase tipo 1. Os estrogênios podem se contrapor aos androgênios por três mecanismos: oposição local direta, inibição da produção ovariana ou regulação gênica. Outros hormônios envolvidos na acne incluem o hormônio de crescimento, fatores de crescimento como o IGF-1, o hormônio melanotrófico (MSH) e o hormônio adrenocorticotrófico (ACTH).

Pacientes com acne podem ter alguma doença endocrinológica associada. Recomenda-se avaliação hormonal nos casos de início agudo, hirsutismo, irregularidade menstrual e outros sinais de hiperandrogenismo, como alopecia de padrão androgênico, aumento da libido e engrossamento da voz. Os exames devem incluir dosagem de DHEAS, testosterona total e livre, LH e FSH; como os contraceptivos hormonais podem interferir nos resultados, seu uso deve ser suspenso antes da coleta dos exames.

O acetato de clormadinona é um derivado progestagênico que bloqueia competitivamente o receptor androgênico na unidade pilossebácea. Além disso, inibe a secreção de gonadotrofinas. Um contraceptivo hormonal oral composto de etinilestradiol e acetato de clormadinona (0,03 mg/2 mg) foi avaliado em um estudo clínico prospectivo no tratamento da acne papulopustulosa e comedônica. Após 12 ciclos, 59% das pacientes com acne papulopustulosa e 89% daquelas com acne comedônica relataram melhora de pelo menos 50%. Outro estudo mostrou melhora da acne com esse contraceptivo oral combinado em 59% a 83% das pacientes.

Os contraceptivos hormonais orais combinados (COCs) são amplamente usados no tratamento da acne. O componente estrogênico reduz a testosterona livre por aumentar a globulina ligadora de hormônios sexuais (SHBG) e diminui os níveis de androgênios ovarianos, enquanto o progestagênio, dependendo das suas características, pode bloquear competitivamente os receptores androgênicos. Não há evidências de que COCs causem aumento de peso nem que sua eficácia seja reduzida pelo uso concomitante dos antibióticos mais comuns – com exceção da rifampicina. Outros fármacos citados no artigo incluem espironolactona, acetato de ciproterona, flutamida, análogos de GnRH e drospirenona. 
Dra. Patrícia Rossi
Mestre em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da
Universidade de São Paulo (FMUSP) Preceptora da Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Conjunto Hospitalar do Mandaqui (São Paulo/SP) CRM/SP 79.066/SP | RQE 51.165

Código Zinc: SABR.SA.19.07.1317

REFERÊNCIAS

  1. Barros B, Thiboutot D.

    Hormonal therapies for acne.

    Clin Dermatol. 2017;35(2):168-172