O adenocarcinoma gástrico (AdG), em geral, apresenta um mau prognóstico, em parte devido ao diagnóstico tardio. Um comitê multidisciplinar da British Society of Gastroenterology realizou uma revisão sistemática da literatura e desenvolveu recomendações baseadas em evidências sobre o diagnóstico e tratamento de pacientes com metaplasia intestinal gástrica (MIG), gastrite atrófica (GA), displasia gástrica ou adenocarcinoma precoce. O resultado da revisão foi publicado no periódico científico Gut.

Os fatores de risco para o AdG incluem a infecção por Helicobacter pylori (H. pylori), anemia perniciosa, histórico familiar de câncer gástrico, em particular, o câncer gástrico difuso hereditário. Os estágios na progressão para o câncer passam pela gastrite crônica, GA, MIG e displasia. A chave para a detecção precoce do câncer e a melhora da sobrevida dos pacientes é a identificação de formas não invasivas de diagnóstico para aqueles que estão em risco, antes da realização de uma endoscopia. No entanto, embora alguns biomarcadores possam ajudar na detecção de pacientes com gastrite atrófica crônica, não existem evidências suficientes que apoiem seu uso na triagem populacional.

Para os pacientes com GA ou MIG, deve ser realizado um exame endoscópico sistemático completo do estômago por um período mínimo de 7 minutos, com documentação fotográfica das regiões gástricas e de qualquer patologia. A endoscopia de alta qualidade com visualização total da mucosa é uma parte importante para melhorar a detecção precoce. A endoscopia com imagem aprimorada e a endoscopia de ampliação, quando disponível, combinadas com a coleta de amostras de biópsia para uma análise histopatológica, é a melhor abordagem para detectar e estratificar com precisão a GA e MIG. A coleta de amostras para biópsias, seguindo o protocolo de Sydney, permitem tanto a confirmação diagnóstica quanto a estratificação de risco para progressão para o câncer. Preferencialmente, as biópsias devem ser direcionadas para áreas de GA ou MIG visualizadas durante a endoscopia de alta qualidade. Para os pacientes com 50 anos ou mais e que apresentem múltiplos fatores de risco para o adenocarcinoma gástrico (sexo masculino, fumantes, anemia perniciosa), deve ser considerada uma triagem endoscópica, especialmente para indivíduos com parentes de primeiro grau com câncer gástrico.

Não existem evidências suficientes que apoiem o rastreamento em populações de baixo risco por meios de esofagogastroduodenoscopias de rotina, mas a vigilância endoscópica a cada 3 anos deve ser realizada em pacientes com GA ou MIG extensas. Para os pacientes com displasia de baixo grau, deve ser realizada uma segunda endoscopia com imagem aprimorada e amostragem extensiva de biópsia, seguindo com uma endoscopia repetida dentro de 1 ano caso nenhuma neoplasia visível for detectada. Para os pacientes com displasia de alto grau, deve ser ealizada uma segunda endoscopia imediata com imagem aprimorada e amostragem extensa de biópsia, e a vigilância deve ser contínua em intervalos de 6 meses. Para os pacientes que realizaram uma excisão endoscópica completa dos adenomas deve ser realizada uma gastroscopia de acompanhamento a cada 12 meses.
Em relação ao tratamento, os pacientes com GA com risco de adenocarcinoma gástrico ou com MIG associado ao H. pylori, displasia ou câncer devem receber terapia de erradicação para o H. pylori. Os pólipos hiperplásicos com mais de 1 cm, que tenham uma morfologia pediculada ou causem sintomas (obstrução, sangramento) e todos os adenomas gástricos devem passar por ressecção, assim como toda a displasia gástrica e adenocarcinoma gástrico precoce.

Acesso em 14 Ago 2019. Disponível em: https://gut.bmj.com/content/gutjnl/early/2019/07/05/gutjnl-2018-318126.full.pdf

Em relação ao tratamento, os pacientes com GA com risco de adenocarcinoma gástrico ou com MIG associado ao H. pylori, displasia ou câncer devem receber terapia de erradicação para o H. pylori. Os pólipos hiperplásicos com mais de 1 cm, que tenham uma morfologia pediculada ou causem sintomas (obstrução, sangramento) e todos os adenomas gástricos devem passar por ressecção, assim como toda a displasia gástrica e adenocarcinoma gástrico precoce.

REFERÊNCIAS

  1. Banks M, Graham D, Jansen M, Gotoda T, Coda S, di Pietro M, et al.

    British Society of Gastroenterology guidelines on the diagnosis and management of patients at risk of gastric adenocarcinoma.

    Gut. 2019 Jul 5.