Uma revisão de estudos, publicada no periódico científico Asia Pacific Allergy, analisou as possíveis associações existentes entre a exposição a poluentes e irritantes ambientais com a tosse crônica em pacientes adultos.

A tosse é um reflexo fisiológico de defesa que protege as vias aéreas das aspirações, infecções ou irritações. No entanto, ela se torna uma doença a partir do momento em que esse reflexo é desregulado. A tosse crônica é uma causa significativa de morbidade, principalmente em relação à qualidade de vida e atividades diárias.

Devido à função intrínseca do reflexo da tosse, fatores desencadeantes ambientais podem ser gatilhos na patogênese da tosse crônica.

Existem várias linhas de evidências epidemiológicas que demonstram as relações entre a exposição ambiental a irritantes e poluentes, como materiais particulados, fumaça de cigarro, combustíveis ou poeira, e a tosse crônica. No entanto, os resultados positivos para essas associações, concluídos por estudos transversais, apenas refletem a natureza protetora da tosse, e podem não ter abordado adequadamente o verdadeiro impacto dos fatores ambientais desencadeantes. Se a inalação de irritantes e poluentes é repetida, a tosse pode ser vista como crônica, mas pode ser apenas de natureza protetora. Portanto, os resultados residuais de longo prazo seriam a chave para compreender os efeitos dos fatores desencadeantes ambientais da tosse crônica.

Nesse sentido, pesquisadores realizaram uma revisão de estudos com o objetivo resumir as associações entre tosse crônica e a exposição a poluentes ou irritantes ambientais, com foco nos efeitos residuais de longo prazo, assim como os efeitos da exposição aguda de alta intensidade, e também se a exposição à irritação ou poluentes na infância poderia aumentar o risco de tosse crônica na vida adulta.

Os resultados da revisão apontaram, através da análise de estudos transversais, a existência de associações significativas entre a exposição a poluentes e irritantes ambientais com a tosse crônica. No entanto, ainda existem poucos estudos longitudinais para confirmar os efeitos residuais a longo prazo.

As evidências atualmente disponíveis sugerem que, tanto a exposição crônica persistente quanto a aguda de alta intensidade podem desencadear tosse crônica.

Ainda não está claro se a exposição durante a infância a um poluente ou irritante ambiental pode levar à tosse crônica na idade adulta. Entretanto, alguns estudos longitudinais sugerem que isso seja provável.

Os efeitos e mecanismos da exposição às substâncias irritantes ou poluentes das vias aéreas podem depender dos tipos e da intensidade da exposição, e incluir alterações neuronais, inflamação ou hiper-reatividade das vias aéreas.
Os autores do estudo recomendam que os pacientes com tosse crônica sejam avaliados em relação ao tipo, intensidade e duração de uma exposição específica, e que também devem ser considerados os fatores particulares, como idade do paciente na exposição ou a presença de comorbidades. Segundo os pesquisadores, as diretrizes recentes de prática clínica recomendam o uso rotineiro do histórico de fatores desencadeantes ocupacionais e ambientais nesses pacientes. Por fim, eles explicam que os fenótipos clínicos associados ainda não estão claros, mas provavelmente dependem do tipo e da intensidade da exposição, que podem incluir bronquite crônica, bronquite eosinofílica ou doenças obstrutivas hiper-reativas das vias aéreas.

Acesso em 17 Jun 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/332585816_Environmental_triggers_for_chronic_cough

Os autores do estudo recomendam que os pacientes com tosse crônica sejam avaliados em relação ao tipo, intensidade e duração de uma exposição específica, e que também devem ser considerados os fatores particulares, como idade do paciente na exposição ou a presença de comorbidades.

REFERÊNCIAS

  1. Jo EJ, Song WJ.

    Environmental triggers for chronic cough.

    Asia Pac Allergy. 2019 Apr 20;9(2):e16.