A esclerose múltipla (EM) é uma doença desmielinizante, mediada por imunidade crônica, que leva a incapacidades neurológicas que, devido a sua gravidade, precisam ser diagnosticadas e tratadas precocemente. As diretrizes sobre o diagnóstico e monitoramento da EM sofreram mudanças nas últimas décadas.

O periódico científico Frontiers in Neurology, publicou uma revisão onde pesquisadores analisaram e resumiram os dados de diferentes coortes e verificaram se o diagnóstico de EM foi melhorado com a utilização dos critérios de McDonald de 2017.

O primeiro critério de McDonald, publicado em 2001, enfatizou a importância da ressonância magnética (RM), mas também reconheceu o papel diagnóstico do líquido cefalorraquidiano. A demonstração qualitativa de duas ou mais bandas oligoclonais específicas no líquido cefalorraquidiano é o método mais sensível para mostrar uma síntese intratecal de anticorpos IgG, sendo um componente adicional bem estabelecido e com uma longa tradição no diagnóstico de esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR). No entanto, o papel do líquido cefalorraquidiano para fins de diagnóstico foi bastante diminuído em cada revisão dos critérios McDonald. Na última revisão dos critérios de McDonald de 2017, a detecção de uma síntese intratecal de IgG como bandas oligoclonais experimentou um renascimento. Pacientes com o primeiro evento clínico sugestivo de EM, que preenchem os critérios de disseminação no espaço, podem ser diagnosticados com EMRR quando são detectadas bandas oligoclonais no líquido cefalorraquidiano. A sensibilidade diagnóstica desses novos critérios, com foco na disseminação no tempo e bandas oligoclonais em substituição à disseminação no tempo, foi testada e publicada em diferentes coortes e é de especial interesse. Dados recentemente publicados mostram que, aplicando os critérios de McDonald de 2017, a EM pode ser diagnosticada com mais frequência no momento do primeiro evento clínico, em comparação com os critérios de McDonald de 2010. O principal efeito se deve à implementação de bandas oligoclonais como substituto da disseminação no tempo.
Os autores da revisão concluíram que, os critérios de McDonald de 2017 permitem um diagnóstico mais rápido da EM e alcançam uma especificidade muito superior aos critérios de 2010, principalmente pela implementação de bandas oligoclonais como substituto da disseminação no tempo. Na opinião dos investigadores, um biomarcador alternativo, tecnicamente menos exigente e econômico, para as bandas oligoclonais pode desempenhar um papel em uma revisão futura dos critérios da McDonald. No entanto, alertam que há limitações para o uso dos critérios McDonald de 2017 quando aplicados em manifestações clínicas atípicas e achados errôneos de RM.
 
Acesso em 15 ago 2019.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6428717/pdf/fneur-10-00188.pdf

Os critérios de McDonald de 2017 permitem um diagnóstico mais rápido da EM e alcançam uma especificidade muito superior aos critérios de 2010, principalmente pela implementação de bandas oligoclonais como substituto da disseminação no tempo.

REFERÊNCIAS

  1. Schwenkenbecher P, Wurster U, Konen FF, Gingele S, Sühs KW, Wattjes MP, et al.

    Impact of the McDonald Criteria 2017 on Early Diagnosis of Relapsing-Remitting Multiple Sclerosis.

    Front Neurol. 2019 Mar 15;10:188.