A DRGE representa uma doença crônica com várias expressões clínicas esofágicas e extraesofágicas, destacando-se neste artigo as esofagites erosivas e suas complicações, representadas pelo esôfago de Barrett (EB) e pelo adenocarcinoma do esôfago (AE) distal.

Essa afecção é bastante comum, acometendo cerca de 20% da população sul-americana. Especialmente o EB e o AE tendem a ser mais prevalentes em homens, especialmente naqueles com índice de massa corporal e circunferência abdominal elevados. Tais associações com IMC são mais nítidas em pacientes de origem europeia, parecendo ter relação com o estado inflamatório crônico observado em indivíduos mais obesos.

Outros fatores de risco encontrados são presença de hérnia de hiato e idade superior a 60 anos, grupo este que apresenta ainda motilidade esofágica deficiente e diminuição do volume salivar e da concentração de bicarbonato. Entretanto, relação inversa com DRGE, EB e AE pôde ser observada em pacientes infectados por H. pylori, especialmente cepas agressivas, como as cag-A.

Estudos com gêmeos monozigóticos puderam mostrar concordância em 42% e em dizigóticos 26%, o que motivou ensaios mais profundos, tentando-se encontrar um perfil genético que pudesse se relacionar com DRGE. De modo interessante, têm sido observados padrões genéticos que, além da DRGE, se correlacionam com a regulação de canais iônicos que podem até influenciar a ação de inibidores da bomba de prótons (IBPs).

Parece ainda haver um certo compartilhamento genético entre DRGE, EB e AE, confirmando sua associação clínica com superposição genética de 77% entre DRGE e EB e de 88% entre DRGE e AE.

Dr. Ricardo Correa Barbuti
Médico assistente dos Grupos de Estômago e Esôfago do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. CRM/SP 66.103

REFERÊNCIAS

  1. öhmer AC, Schumacher J.

    Insights into the genetics of gastroesophageal reflux disease (GERD) and GERD-related disorders.

    Neurogastroenterology and Motility. 2017;29 (2):e13017.