Pesquisadores, que tiveram seu estudo publicado no periódico científico Pain Research and Management, testaram uma nova ferramenta com um grande potencial para se tornar um biomarcador localizador da dor neuropática.

A dor neuropática (DN) é uma doença subreconhecida tratada sem muita eficácia nos pacientes com dor crônica. Consequentemente, a qualidade de vida destes pacientes é consideravelmente afetada, implicando em custos substanciais à saúde. Para um correto diagnóstico da DN a sua localização anatômica deve ser identificada. Entretanto, as ferramentas neuropsicológicas atualmente disponíveis não conseguem cumprir esta tarefa.

As metaloproteinases da matriz (MMP) são uma família de enzimas com atividade proteolítica que atuam sob condições fisiológicas em determinadas patologias inflamatórias, como a neuropatia periférica. Algumas dessas MMPs, como a MMP-12, estão particularmente elevadas na DN.

Nos últimos anos a ressonância magnética (RM) do sistema nervoso periférico progrediu devido ao aumento da resolução de alto contraste e das características multiplanares.

Os pesquisadores envolvidos neste estudo, buscaram melhorar a especificidade da RM para o diagnóstico de lesões neurais, através do desenvolvimento de uma nanopartícula de óxido de ferro (IONP) magnética direcionada para a MMP-12.

A eficiência in vivo do método foi avaliada em um modelo de dor neuropática em roedores, onde o nervo espinhal lombar esquerdo (L5) foi submetido cirurgicamente a uma ligadura. Esse procedimento induziu com sucesso uma alodinia mecânica, com hiperalgesia térmica, na pata traseira esquerda durante toda a duração do estudo. Um grupo de ratos controle, que foi submetido a uma cirurgia simulada, não apresentou essas características de neuropatia.

Após o exame histopatológico dos animais, foi observado um aumento da concentração de MMP-12, com infiltração concomitante de macrófagos, desmielinização e perda de fibras de elastina no local da ligadura cirúrgica. Essas mesmas alterações não foram observadas nos nervos espinhais contralateral e ipsilateral ao nervo espinhal ligado, ou nos nervos espinhais esquerdos não lesados.

A nanopartícula de IONP magnética direcionada à MMP-12 se mostrou estável e não tóxica in vitro. Ela foi inoculada no nervo espinhal L5 esquerdo por injeção intratecal, onde foi observada uma diminuição do sinal de ressonância magnética (MR) no local da ligadura. A análise histológica confirmou a presença de ferro nos nervos espinhais que receberam a ligadura, enquanto que não foi detectado ferro nos nervos espinhais L5 esquerdos não lesionados.
Na conclusão dos autores do estudo, a MMP-12 é um potencial biomarcador da DN. A sua detecção in vivo, utilizando a RM com uma nanopartícula de IONP, pode ser desenvolvida como uma ferramenta para o diagnóstico e tratamento da DN.

Acesso em 17 Jun 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/331577290_Locating_the_Site_of_Neuropathic_Pain_In_Vivo_Using_MMP-12-Targeted_Magnetic_Nanoparticles

REFERÊNCIAS

  1. Husain SF, Lam RWM, Hu T, Ng MWF, Liau ZQG, Nagata K, Khanna S, et al.

    Locating the Site of Neuropathic Pain In Vivo Using MMP-12-Targeted Magnetic Nanoparticles.

    Pain Res Manag. 2019 Mar 6;2019:9394715.