Um estudo, realizado em mais de 3.500 crianças, sugeriu que exames laboratoriais de rotina podem auxiliar a identificar os vírus responsáveis por infecções respiratórias agudas (IRAs) que circulam na comunidade e a prever sua duração, tendências e impacto.

As infecções respiratórias agudas (IRA) são atualmente uma das principais causas de morbidade e mortalidade em crianças. Mundialmente, os vírus são responsáveis por mais de 80% das IRAs em todo o mundo. As manifestações clínicas das IRAs dificilmente deferenciam as etiologias bacterianas das virais, podendo levar ao uso desnecessário de antibióticos. Os ensaios de reação em cadeia da polimerase via transcriptase reversa (RT-PCR) possibilitam a identificação de patógenos respiratórios.

Apesar da disponibilidade de métodos moleculares de diagnóstico, a identificação dos vírus causador de IRAs em crianças tem se mostrado difícil, já que os mesmos vírus são frequentemente detectados em crianças assintomáticas.

Os autores do estudo, que foi publicado no periódico científico Korean Journal of Pediatrics, realizaram RT-PCR para detectar 15 vírus respiratórios comuns em crianças menores de 15 anos, que foram hospitalizadas com IRA. Simultaneamente foram avaliados a epidemiologia viral e os perfis clínicos das infecções virais, nesses pacientes.

Os pesquisadores identificaram os vírus causadores de IRA em 2.424 (69,1%) das 3.505 crianças hospitalizadas analisadas. O ensaio revelou que em quase 50% dos casos um vírus único foi responsável pela infecção. Os principais patógenos envolvidos nos casos positivos de infecções por vírus único diferiram de acordo com a idade das crianças. O rinovírus humano (hRV) foi o agente mais comum em pacientes de todas as idades.

O vírus sincicial respiratório (VSR), o vírus da influenza (IF) e o metapneumovírus humano (hMPV) tiveram uma incidência sazonal, aparecendo desde o outono até a primavera. O hRV e o adenovírus (AdV) foram identificados em todas as estações.

Com relação às características clínicas, os pacientes com IRAs causadas por VSR e hRV foram frequentemente afebris e apresentaram mais comumente sibilância, em comparação com pacientes com outras IRAs virais.

Os resultados dos exames laboratoriais revelaram que as inflamações dominantes por neutrófilos foram observadas nas IRAs causadas por IF, AdV e hRV, enquanto que as inflamações dominantes por linfócitos foram observadas em infecções pelo VSR, parainfluenza e hMPV. A monocitose foi comum nas infecções por VSR e AdV, enquanto que a eosinofilia foi observada com o hRV.
Segundo os pesquisadores, em combinação com a identificação viral, o reconhecimento de padrões clínicos e laboratoriais específicos dos vírus pode ampliar a compreensão da epidemiologia das IRAs virais e auxiliar a estabelecer estratégias terapêuticas e preventivas mais eficientes.

Acesso em 16 Jul 2019.
Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/326013919_Clinical_and_laboratory_profiles_of_hospitalized_children_with_acute_respiratory_virus_infection

REFERÊNCIAS

  1. Choi E, Ha KS, Song DJ, Lee JH, Lee KC.

    Clinical and laboratory profiles of hospitalized children with acute respiratory virus infection.

    Korean J Pediatr. 2018 Jun;61(6):180-186.