A esclerose múltipla é a doença neurológica inflamatória mais comum em adultos jovens, com uma média de idade de diagnóstico por volta dos 30 anos. O estudo The Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study (GBD) fornece um método sistemático para quantificar os vários efeitos de uma determinada condição, por meio de variáveis demográficas e geografia. Nessa análise sistemática, publicada no periódico científico The Lancet Neurology, pesquisadores quantificaram a carga global da esclerose múltipla e sua relação com o nível de desenvolvimento dos países.

Para isso, os investigadores avaliaram a epidemiologia da esclerose múltipla entre 1990 e 2016. A avaliação da esclerose múltipla como causa de morte baseou-se em 13.110 anos-base de dados de registro vital, analisados na ferramenta de modelagem de causas de morte do GBD, projetado para escolher a combinação ideal de modelos matemáticos e covariáveis preditivas, baseados em teste de validade preditiva da amostra. Os dados sobre prevalência e óbitos foram sumarizados no indicador anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs), que, por sua vez, foi calculado como a soma dos anos de vida perdidos por morte prematura (YLLs) e os anos de vida vividos com incapacidade (YLDs). Para avaliar as relações com o nível de desenvolvimento, foi utilizado o Índice Sócio-Demográfico (SDI), um indicador composto pela renda, anos de escolaridade e fecundidade.

Em 2016, houveram 2.221.188 casos de esclerose múltipla em todo o mundo, correspondendo a uma prevalência de 30,1 casos por 100.000 habitantes, e revelando um aumento de 10,4% na prevalência em relação a 1990. As estimativas de prevalência média de esclerose múltipla padronizadas por idade mais elevadas por 100.000 habitantes foram na América do Norte de alta renda (164,6), Europa Ocidental (127,0), e Australásia (91,1). Os mais baixos foram na África subsaariana oriental (3,3), África subsaariana central (2,8) e Oceania (2,0). No Brasil, em 2016, houve uma prevalência de 29.467 casos, com um aumento de 35,7% em relação a 1990. Mundialmente, em 2016, ocorreram 18.932 mortes e 1.151.478 DALYs devido à esclerose múltipla. No Brasil, em 2016, ocorreram 375 mortes e 18.835 DALYs. Globalmente, as taxas de mortalidade padronizadas por idade diminuíram significativamente, resultando em menos 11,5%, enquanto a alteração nos DALYs padronizados por idade não foi significativa, resultando em menos 4,2%. No Brasil, a taxa de mortalidade aumentou em 8,6% e os DALYs aumentaram em 18,8%. Os YLLs devido a morte prematura foram maiores na sexta década de vida 22,05. As mudanças nos DALYs padronizados por idade, avaliadas com SDI entre 1990 e 2016 foram variáveis.
Os autores da pesquisa concluíram que a esclerose múltipla não é comum, mas é uma causa potencialmente grave de incapacidade neurológica ao longo da vida adulta. Sua prevalência aumentou substancialmente em muitas regiões desde 1990, em parte devido à melhoria da sobrevida. No Brasil, ao contrário da média mundial, ocorreram aumentos na mortalidade e no DALYs.
 
Acesso em 15 Ago 2019. Disponível em: https://www.thelancet.com/journals/laneur/article/PIIS1474-4422(18)30443-5/fulltext

A esclerose múltipla não é comum, mas é uma causa potencialmente grave de incapacidade neurológica ao longo da vida adulta.

REFERÊNCIAS

  1. GBD 2016 Multiple Sclerosis Collaborators.

    Global, regional, and national burden of multiple sclerosis 1990-2016: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2016.

    Lancet Neurol. 2019 Mar;18(3):269-285.