Em 2016, um estudo publicado no Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics utilizou dados da entrevista nacional de saúde de 2010 e questionários suplementares sobre a saúde ocupacional, sendo os participantes profissionais que trabalharam pelo menos até a semana anterior, com idades entre 18 e 64 anos. A amostra contou com 13.924 pessoas.

O estudo expôs a dor lombar como um problema de saúde comum, com a maioria dos trabalhadores apresentando sintomas alguma vez na vida, impactando, direta e indiretamente, o indivíduo, a família, o emprego e o governo.

Estimam-se gastos diretamente relacionados à lombalgia entre 50 e 90,7 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Quando somados à perda da produtividade no trabalho, esses valores podem atingir a incrível marca de 635 bilhões de dólares anuais.

Os fatores de riscos relacionados ao trabalho são divididos em duas grandes categorias, físicas e psicossociais. No âmbito psicossocial, incluem-se desequilíbrio trabalho-família, ambiente hostil de trabalho, insegurança no emprego, longas jornadas de trabalho e trabalho extraordinário obrigatório.

O objetivo desse estudo foi estimar a prevalência de dor lombar nos trabalhadores em geral, em diferentes grupos demográficos nos Estados Unidos, explorar associações entre dor lombar e um conjunto de fatores de risco psicossociais emergentes no ambiente de trabalho, em diversos grupos demográficos nos Estados Unidos e abordar associações entre dor lombar e um conjunto de fatores de risco relacionados à organização do trabalho e à do trabalho propriamente dito, em diferentes grupos demográficos na população trabalhadora dos Estados Unidos.

A prevalência de dor lombar geral foi de 25,7% entre os trabalhadores, sendo maior nas mulheres (27,1%) comparadas aos homens (24,5%) e nos trabalhadores mais velhos (27,7%) comparados aos mais jovens (23,8%). Homens jovens apresentaram menos prevalência (22,5%), enquanto mulheres mais velhas tiveram as maiores taxas (28,8%). Mulheres brancas não hispânicas (27,8%) e trabalhadores mais velhos e hispânicos (28,7%) foram os grupos com as maiores prevalências. Em contrapartida, a prevalência para dor lombar em asiáticos não hispânicos, em diferentes idades e grupos de sexo, foi bem menor, com 14,1% em homens, 17,8% em mulheres, 13,3% em trabalhadores jovens e 18,5% em trabalhadores mais velhos.

Trabalhadores com nível superior de estudo e graduações tiveram menos risco de dor lombar quando comparados a trabalhadores com escolaridade reduzida ao Ensino Médio.

Trabalhadores expostos a ambiente de desequilíbrio trabalho-família, ambiente de trabalho hostil e insegurança no emprego tiveram mais prevalência de dor lombar quando comparados àqueles sem exposição a esses fatores de risco. Os menores índices de prevalência foram observados em trabalhadores do sexo masculino (21,5%) e jovens (22,5%) que trabalharam em turnos alternativos.

A carga horária de trabalho de 40 horas semanais regulares foi a que apresentou melhores resultados, com os trabalhadores de todos os sexos e idade com as menores prevalências de dor lombar. Tanto trabalhadores com menores cargas horárias semanais quanto trabalhadores com cargas extraordinariamente longas (acima de 60 horas) tiveram aumento da prevalência de dor lombar. Dentre as mulheres, as maiores prevalências de dor lombar ocorreram nas que trabalhavam entre 41 e 45 horas semanais.

Um crescente corpo de pesquisas indicou que insegurança pode acarretar prejuízos à saúde dos trabalhadores comparáveis a ou até piores que o desemprego. Ademais, pode associar-se a absenteísmo relacionado à doença, a doenças coronarianas, à depressão, a lesões relacionadas ao trabalho, a distúrbios de sono e musculoesqueléticos.
Um dado interessante foi a prevalência aumentada de dor lombar entre homens, mulheres e jovens com atividades relacionadas à área da saúde.

Um possível resultado do desequilíbrio entre o ambiente trabalho-família pode levar à um esgotamento de recursos físicos e psicológicos, além de comportamentos não saudáveis, incluindo uso de álcool e tabagismo e diminuição da atividade física e lazer.
Dr. Guilherme Henrique Ricardo da Costa
Médico ortopedista membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
Fellow do Grupo de Coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) CRM-SP 167.997

Dr. Allan Hiroshi de Araújo Ono
Médico ortopedista membro da SBOT e da Sociedade Brasileira de Coluna
Médico-assistente do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP CRM-SP 135.509 | RQE 40.604

REFERÊNCIAS

  1. Yang H, Haldeman S, Lu ML, Baker D.

    Low back pain prevalence and related workplace psychosocial risk factors: a study using data from the 2010 national health interview survey.

    J Manipulative Physiol Ther. 2016;39(7):459-72.