Uma pesquisa, publicada no periódico científico PLoS One, sugeriu que a prevalência de doenças alérgicas em crianças de 7 a 9 anos pode ser reduzida de forma dose-dependente com o número de animais domésticos que se tem contato durante o primeiro ano de vida.

Diversos estudos anteriores indicaram que a manutenção de animais de estimação nas primeiras fases da vida poderia proteger as crianças de desenvolver alergias no decorrer da vida.

Nesse sentido, pesquisadores investigaram se existe uma associação dose-dependente entre a manutenção de cães e gatos durante o primeiro ano de vida e o subsequente desenvolvimento de alergias.

Para isso, os investigadores analisaram duas coortes diferentes, um estudo transversal com base em questionários de 1.029 crianças de 7 a 8 anos, e uma coorte de nascimento de 249 crianças clinicamente avaliadas para asma e alergia por pediatras até a idade de 8-9 anos.

No estudo transversal foram realizadas perguntas validadas sobre asma, rinoconjuntivite alérgica e eczema.

No estudo de coorte de nascimento, o diagnóstico de asma e alergia foi baseado em critérios clínicos pré-definidos, e a avaliação laboratorial incluiu a presença de eosinófilos no sangue, testes cutâneos e análises específicas de imunoglobulina E.

As informações sobre o contato com animais de estimação durante o primeiro ano de vida foram coletadas retrospectivamente na coorte transversal e prospectivamente na coorte de nascimentos.

Os pesquisadores observaram uma associação dose-resposta, com menos manifestações alérgicas (asma, rinoconjuntivite alérgica ou eczema) com o aumento do número de exposições a cães e gatos domésticos durante o primeiro ano de vida. Na coorte transversal, a alergia diminuiu de 49% nas crianças sem animais de estimação para zero nas crianças com cinco ou mais animais de estimação. O mesmo padrão foi observado na coorte de nascimentos. A sensibilização a animais, bem como a pólens, também diminuiu com o aumento do número de animais na casa.
Na opinião dos autores do estudo, o efeito protetor para o desenvolvimento de alergias em crianças mediado pela manutenção do contato com animais de estimação deve ser considerado como mecanismo de “mini-fazenda”, equiparando estes achados àqueles encontrados nas várias analises realizadas em regiões rurais que já revelaram fatores protetores contra o desenvolvimento de alergias.

Acesso em 16 Jul 2019. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0208472

O efeito protetor para o desenvolvimento de alergias em crianças mediado pela manutenção do contato com animais de estimação deve ser considerado como mecanismo de “mini-fazenda”.

REFERÊNCIAS

  1. Hesselmar B, Hicke-Roberts A, Lundell AC, Adlerberth I, Rudin A, Saalman R, et al.

    Pet-keeping in early life reduces the risk of allergy in a dose-dependent fashion.

    PLoS One. 2018 Dec 19;13(12):e0208472.