Em 2016, um artigo de revisão publicado no Journal of Pain Research definiu síndrome da falha cirúrgica nas costas como uma dor lombar de origem desconhecida e persistente, a despeito de intervenção cirúrgica, ou com início após procedimento cirúrgico para dor da coluna de origem na mesma topografia.

Dor nas costas é uma condição extremamente prevalente, com incidência global estimada em 9,4%, impactando a vida social, a financeira e a psicossocial do paciente. A prevalência aumenta com a idade, sendo compreensível aumento nas taxas de cirurgias, de acordo com o envelhecimento populacional.

Entre 1998 e 2008, o número de altas hospitalares após fusões lombares primárias teve um incremento de 170,9% (de 77.682 para 210.407), enquanto, no mesmo período, a taxa de laminectomias aumentou apenas 11,3% (de 92.390 para 107.790).

Avaliação adequada baseia-se em história, exame físico e exames de imagem, além de procedimentos diagnósticos quando indicados.

Os principais fatores para falhas foram pontuados em acurácia do diagnóstico (principal fator), fatores socioeconômicos, comportamentais e psicossociais.

Um estudo prospectivo com 4.555 pacientes associou o tabagismo a piores resultados cirúrgicos, além de aumento do risco de complicações.

A depressão apresentou forte associação negativa na expectativa pós-cirúrgica, porém a maioria dos cirurgiões dos Estados Unidos não utiliza screening psicossocial pré-operatório.

Toda cirurgia lombar leva a mudanças biomecânicas, tanto nos níveis acima quanto abaixo da fusão. O aumento da tensão muscular ocasiona rigidez, inflamação, espasmos e fadiga, predispondo áreas de dores paravertebrais.

Exame de radiografia é o primeiro passo na investigação da dor crônica pós-operatória nas costas. Ressonância magnética com gadolínio é o exame padrão-ouro na avaliação de partes moles, com a tomografia computadorizada desempenhando papel importante na avaliação de alterações ósseas facetárias e dimensão dos canais.

O bloqueio de raízes é empregado tanto para fins diagnósticos quanto terapêuticos.

No campo não cirúrgico, a combinação de fisioterapia, objetivando melhora da marcha e da postura, que auxilia no ganho de força e função física, e terapia medicamentosa, com ação multimodal, porém cada vez mais controversa, é a base da primeira linha de tratamento. Deve-se minimizar ou até evitar o uso de opioides para dores crônicas. Em um estudo, a associação de gabapentina à infiltração reduziu significativamente os níveis de dor, reforçando a importância da abordagem multimodal.
O manejo intervencionista da dor nas costas inicia-se por procedimentos minimamente invasivos, sendo as opções cirúrgicas as últimas linhas para tratamento.

A ablação por radiofrequência de nervos promove alívio que o bloqueio diagnóstico ou terapêutico não fornece, sendo os candidatos ideais os pacientes que apresentam alívio, por curto período, após infiltrações das articulações sacroilíacas.
A estimulação da medula espinhal induz analgesia não só por efeito direto, mas também por componente de atuação no sistema nervoso central, induzindo vias descendentes inibitórias e inibindo a facilitação da dor.

A indicação de reabordagem cirúrgica é obrigatória nas situações em que ocorrem perda da função intestinal ou vesical, fraqueza motora e lesão da medula espinhal com déficit neurológico progressivo.
Dr. Guilherme Henrique Ricardo da Costa
Médico ortopedista membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
Fellow do Grupo de Coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) CRM-SP 167.997

Dr. Allan Hiroshi de Araújo Ono
Médico ortopedista membro da SBOT e da Sociedade Brasileira de Coluna
Médico-assistente do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP CRM-SP 135.509 | RQE 40.604

Código Zinc:  SABR.SA.19.07.1341a

REFERÊNCIAS

  1. Baber Z, Erdek M.

    Failed back surgery syndrome: current perspectives.

    Journal of Pain Research. 2016;9:979-87.