Pesquisadores publicaram, no periódico científico Pulmonary Pharmacology and Therapeutics, um artigo de revisão analisando os conceitos atuais da bronquiectasia, enfocando os aspectos complexos da tosse crônica neste cenário.

A bronquiectasia é uma doença pulmonar crônica com dilatação irreversível das vias aéreas, retenção de muco e infecções recorrentes do trato respiratório inferior. Seus principais sintomas incluem tosse, produção crônica de escarro, hemoptise, dispneia e rinossinusite crônica.

A prevalência da bronquiectasia vem aumentando nos últimos anos, e apresenta uma morbidade significativa, com uma alta taxa de mortalidade em relação a controles pareados por idade.

Ela está sendo cada vez mais identificada durante as investigações de pacientes com tosse crônica, e seu diagnóstico é evidente na tomografia computadorizada de alta resolução.

Ainda existem algumas lacunas de conhecimento significativas sobra a compreensão da sua epidemiologia, fisiopatologia, prognóstico e tratamentos ideais em bronquiectasias.

A tosse é um sintoma importante e dos mais comuns na bronquiectasia, afetando a qualidade de vida dos pacientes e, somada a hipersensibilidade à tosse e hiperresponsividade das vias aéreas, pode limitar a aceitação de tratamentos inalatórios com antibióticos e/ou terapias mucoativas.

A tosse eficaz, muitas vezes assistida por fisioterapia, é fundamental no tratamento da bronquiectasia. Entretanto, alguns pacientes apresentam tosse não produtiva, sugerindo uma síndrome de sensibilização à tosse.

O gotejamento pós-nasal e o refluxo gastroesofágico podem ser fatores que complicam a bronquiectasia, podendo levar a síndromes de tosse intratáveis.

Ainda existe a possibilidade de um mesmo indivíduo apresentar várias síndromes de tosse em interação, tornando necessária uma avaliação cuidadosa e acompanhamento multidisciplinar para otimizar o controle dos sintomas.
Em resumo, a bronquiectasia é uma síndrome de tosse crônica cada vez mais comum. A tosse eficaz é uma parte importante do tratamento do paciente, mas a definição das técnicas mais eficazes que auxiliem na expectoração e que sejam aceitáveis para os pacientes ainda precisam ser definidas. A tosse ocasiona consequências significativas nos pacientes, que provavelmente contribuem para a fadiga e prejudicam a qualidade de vida. A incontinência urinária, e ocasionalemente fecal, são consequências sub-reconhecidas da tosse crônica nessa população, e pode limitar a adesão à fisioterapia baseada na tosse eficaz. Ainda existe uma série de incógnitas nas bronquiectasias, e à medida que surgem novos dados no campo da hipersensibilidade à tosse idiopática crônica, os especialistas poderão encontrar as melhores opções terapêuticas para seus pacientes.
 
Acesso em 19 Jul 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/28602999

A bronquiectasia é uma síndrome de tosse crônica cada vez mais comum.

REFERÊNCIAS

  1. McCallion P, De Soyza A.

    Cough and bronchiectasis.

    Pulm Pharmacol Ther. 2017 Dec;47:77-83.