Especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) verificaram as recomendações diagnósticas e terapêuticas para a urticária crônica espontânea em relação às diretrizes internacionais e norte-americanas.

As urticárias são manifestações frequentes, com 15% a 20% da população apresentando pelo menos um episódio agudo na vida. As urticárias podem ser classificadas como agudas, quando a duração dos sintomas é inferior a 6 semanas, ou crônicas, quando duram mais de 6 semanas. Em relação à manifestação, a urticária crônica (UC) pode ser induzida por algum fator externo ou espontânea (UCE).

Nesse sentido, especialistas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) verificaram as recomendações diagnósticas e terapêuticas para a UCE em relação às diretrizes internacionais e norte-americanas. Com o objetivo de criar um consenso, especialistas brasileiros receberam um questionário com perguntas sobre recomendações diagnósticas e terapêuticas para UCE em adultos.

Dezesseis especialistas brasileiros responderam ao questionário relacionado ao diagnóstico e terapia da UCE em adultos e os dados recebidos foram analisados. O texto final, que foi publicado no periódico científico Anais Brasileiros de Dermatologia, foi redigido considerando as diretrizes internacionais adaptadas às práticas médicas no Brasil.

As respostas dos especialistas ao questionário apontaram que para o diagnóstico da UCE raramente são necessários exames complementares, e que as biópsias de lesões cutâneas e os exames histopatológicos podem ser indicados para descartar outras doenças. Segundo os especialistas, outros exames laboratoriais indicados para a UCE foram o hemograma completo, PCR, velocidade de hemossedimentação e avaliação tireoidiana. Também apontaram que o tratamento da UCE inclui o uso de anti-histamínicos de segunda geração em doses recomendadas
e em doses superiores às recomendadas em bula, e que outros medicamentos também podem ser indicados, mas apresentam evidências científicas limitadas.

A maioria dos especialistas brasileiros participantes concordaram em parte com as recomendações de diagnóstico e tratamento que fazem parte das diretrizes internacionais e norte-americanas.

Segundo o consenso, a maioria dos especialistas brasileiros participantes concordaram em parte com as recomendações de diagnóstico e tratamento que fazem parte das diretrizes internacionais e norte-americanas. Houve consenso entre a maioria dos especialistas na utilização de anti-histamínicos de segunda geração nas doses preconizadas em bula para o tratamento da UCE, e que o aumento das doses (duplicadas, triplicadas ou quadruplicadas) pode ser indicado com restrição, devido à falta de aprovação em bula. O uso de anti-histamínicos sedativos, previsto no protocolo americano, é indicado por parte dos especialistas brasileiros pela sua disponibilidade no país. Finalmente, concordaram que existe a necessidade de adaptações no tratamento da UCE devido à escassez ou ausência de disponibilidade de outros recursos terapêuticos na rede pública de saúde no Brasil.

Acesso em 04 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6544033/pdf/abd-94-02-s1-0056.pdf

REFERÊNCIAS

  1. Criado PR, Maruta CW, Alchorne AOA, Ramos AMC, Gontijo B, Santos JBD, et al.

    Consensus on the diagnostic and therapeutic management of chronic spontaneous urticaria in adults - Brazilian Society of Dermatology.

    An Bras Dermatol. 2019 Apr;94(2 Suppl 1):56-66.