A dermatite de contato (DC) é uma doença inflamatória da pele que pode ser causada tanto por produtos químicos ou íons de metal, que provocam efeitos irritantes (tóxicos), bem como por químicos reativos (alérgenos de contato) que modificam as proteínas e induzem respostas imunes. Consequentemente, a DC pode se manifestar (aguda ou crônica) como DC irritante e alérgica.

Na diferenciação das duas doenças, ou seja, irritante e alérgica, se observam o início mais rápido da DC irritante e a tendência de disseminação da DC alérgica. Além disso, na DC irritante não há reações imunológicas, nenhuma exposição anterior a qualquer substância (sensibilização) é necessária, e a maioria dos indivíduos expostos a determinadas substâncias (geralmente agressivas) manifestam uma reação semelhante. Já na DC alérgica, as lesões cutâneas são induzidas por reações imunes e por sensibilização a alguma substância (alérgeno) mediada por células T, ocorrendo através da fase de sensibilização (consequente) e da fase de elicitação (efeito). Os resultados do teste cutâneo, utilizado para verificar e comprovar a reação de hipersensibilidade tardia (tipo IV) são os indicadores diagnósticos mais importantes na diferenciação entre DC irritante e alérgica. Embora a DC irritante e alérgica sejam dermatoses relativamente frequentes, o caráter irritante é mais comum que o alérgico. Acredita-se que a prevalência de DC alérgica seja de 15% a 25%, apesar da incidência e a prevalência na população geral não terem sido amplamente estudadas.

Na DC irritante, muitas substâncias podem causar irritação ou efeitos tóxicos, por exemplo, agentes químicos e físicos, plantas, agentes fototóxicos, irritantes no ar, etc. Quando lesões de DC irritantes ocorrem após a exposição a uma substância, ainda que em pequenas concentrações, os efeitos podem se acumular devido à influência repetida, e levar a lesões crônicas da pele. Até mesmo a água, em casos de lavagem frequente das mãos, trabalhos em meio líquido ou banhos excessivos podem levar a lesões crônicas, o que consequentemente, altera e danifica gradualmente as barreiras protetoras da pele criando um ambiente favorável à sensibilização.

Na DC alérgica, várias substâncias também podem ser alérgenos, particularmente, os sais metálicos que interagem fracamente com proteínas da pele, e assim, formam complexos. O desenvolvimento de lesões cutâneas alérgicas inclui vias imunes complexas, influenciadas por gatilhos genéticos e ambientais. Existem papéis proeminentes de variações genéticas e mutações, além da função de barreira prejudicada (por exemplo, distúrbios nas capacidades de tamponamento do pH epidérmico), que podem promover biofilmes bacterianos e criar um ambiente favorável à sensibilização.

As lesões na DC irritante aguda, ocorrem mais frequentemente no dorso das mãos e antebraço, é tipicamente caracterizada por eritema, bolhas, escamas e erosões, bem como prurido ou mesmo dor. Além disso, as lesões se apresentam limitadas nas áreas de contato, quer dizer, não ocorre uma disseminação distante, sendo geralmente assimétricas. Por outro lado, a manifestação crônica se caracteriza por lesões difusas e placas escamosas eritematosas tipicamente mal definidas.

As lesões na DC alérgica aguda se apresentam em fases clínicas diferentes, ou seja, fase eritematosa com um eritema não delineado ou edema na pele e fase madidans, caracterizada por erosões e umedecimento. As lesões são inicialmente assimétricas e limitadas à área de contato, mas geralmente se disseminam. No caso de reações graves, há inchaço e bolhas. Dos sintomas gerais em DC alérgica, a coceira é muito perceptível. A principal característica da DC crônica alérgica é a reação epidérmica com liquenificação, fissuras e prurido.

Na patogênese da DC alérgica, os peptídeos antimicrobianos desempenham um papel fundamental. Eles são produzidos por várias células da pele (como queratinócitos e sebócitos) e migram para as lesões durante um processo de inflamação. Além disso, em lesões DC alérgicas, a pele apresenta diferentes tipos de respostas imunes a alérgenos individuais, embora as manifestações clínicas não dependam do tipo alérgeno causador, como o níquel, por exemplo, que estimula a ativação imune principalmente dos componentes Th1/Th17 e Th22. Também são importantes as alarminas, proteases, imunoproteomas, lipídios entre outros.
Os autores do estudo concluíram que, embora haja estudos para vários biomarcadores das DC irritante e alérgica, ainda não há evidencias consistentes de indicadores convincentes. Os pesquisadores ainda ressaltam a importância de que estudos futuros tragam novos dados científicos importantes para a investigação e para o tratamento de pacientes com DC.

 
Acesso em 05 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6544100/

Embora haja estudos para vários biomarcadores das DC irritante e alérgica, ainda não há evidencias consistentes de indicadores convincentes.

REFERÊNCIAS

  1. Novak-Bilić G, Vučić M, Japundžić I, Meštrović-Štefekov J, Stanić-Duktaj S, Lugović-Mihić L.

    Irritant And Allergic Contact Dermatitis - Skin Lesion Characteristics.

    Acta Clin Croat. 2018 Dec;57(4):713-720.