Entre os casais que buscam a concepção, 15,5% são afetados pela infertilidade, levando a significativas repercussões financeiras e psicossociais. Apesar da existência de uma noção bem estabelecida de que fatores modificáveis relacionados com o estilo de vida e a nutrição impactam no potencial reprodutivo, poucas pesquisas abordam este tema.

Embora a reserva ovariana diminuída seja uma das principais causas da infertilidade feminina, fatores reversíveis, como a dieta, também podem afetar as taxas individuais de fertilidade. Atualmente, certas dietas que restringem o uso de certos tipos de proteínas vêm ganhando popularidade. No entanto, seus efeitos sobre a saúde reprodutiva permanecem desconhecidos. Estudos em animais sugerem um possível efeito adverso de uma dieta pobre em proteínas nas taxas de concepção, número de folículos ovarianos e reserva ovariana na idade adulta.

Nesse sentido, pesquisadores avaliaram a associação entre a ingestão de proteínas (quantidade e tipo) e a contagem de folículos antrais (CFA), um marcador eficiente para os folículos primordiais ovarianos.

No estudo, publicado no periódico científico BJOG, foram analisadas 265 mulheres submetidas a tratamentos de fertilidade em um centro acadêmico, que participavam de um estudo sobre saúde ambiental e reprodutiva. Os pesquisadores mediram a CFA durante a avaliação ultrassonográfica dessas pacientes. A alimentação foi avaliada mediante um questionário semi-quantitativo de frequência alimentar previamente validado. Foi utilizada uma regressão de Poisson para avaliar a relação entre a ingestão de proteína e a CFA ajustadas para idade, índice de massa corporal, raça, tabagismo e consumo total de energia.

Os resultados encontrados apontaram que a ingestão total de proteínas não esteve relacionada à CFA. Quando a ingestão de proteínas de diferentes fontes alimentares foi considerada separadamente, os pesquisadores encontraram uma associação negativa entre a ingestão de proteína láctea e a CFA. Após os ajustes para potenciais fatores de confusão, a CFA foi em média 14,4% menor para as mulheres no quintil mais alto de ingestão de proteína láctea do que para as mulheres no quintil inferior. Esta associação foi mais forte entre as mulheres que nunca fumaram, porém não foi observada naquelas que tinham histórico de tabagismo. Não foram encontradas associações entre a ingestão de proteína não lácteas de origem animal ou vegetal e a CFA.
Os pesquisadores concluíram que uma maior ingestão de proteínas lácteas, correspondente a mais de 5,24% da energia diária consumida, foi associada com uma menor contagem de folículos antrais entre as mulheres que se apresentaram para tratamentos de infertilidade. Na opinião dos autores do estudo, esses achados devem ser mais investigados em estudos prospectivos para esclarecer a biologia subjacente a essas associações observadas.

 
Acesso em 02 Jul 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5568942/

Uma maior ingestão de proteínas lácteas, correspondente a mais de 5,24% da energia diária consumida, foi associada com uma menor contagem de folículos antrais entre as mulheres que se apresentaram para tratamentos de infertilidade.

REFERÊNCIAS

  1. Souter I, Chiu YH, Batsis M, Afeiche MC, Williams PL, Hauser R, et al.

    The association of protein intake (amount and type) with ovarian antral follicle counts among infertile women: results from the EARTH prospective study cohort.

    BJOG. 2017 Sep;124(10):1547-1555.