Este comentário de artigo apresenta uma metanálise que trata das associações entre atividade física materna na gestação inicial e tardia e tamanho da prole ao nascer.

A prevalência de obesidade na infância tem aumentado mundialmente, nas últimas três décadas, e recém-nascidos (RNs) GIG (grandes para a idade gestacional) ou com macrossomia (peso ao nascimento superior a 4.000 ou 4.500 g) apresentam mais riscos em comparação a RNs com peso adequado. Atividade física durante a gravidez é recomendada para promover a saúde da gestante, mas também tem sido explorada como uma intervenção potencial para diminuir o risco de GIG e macrossomia – principalmente se não aumentar o risco de RNs pequenos para a idade gestacional (PIG). A atividade física poderia reduzir o crescimento fetal por meio do aumento da sensibilidade à insulina e modulação do metabolismo
da glicose, bem como regulando o crescimento fetoplacentário via suprimento de oxigênio e nutrientes.

Os resultados de revisões sistemáticas de estudos randomizados controlados sobre o efeito de exercícios maternos nos desfechos ao nascimento mostram redução discreta no peso ao nascimento (10 a 30 g). Por outro lado, revisões sistemáticas de estudos observacionais apresentam resultados conflitantes, ora mostrando associação positiva, ora negativa, ora neutra. A heterogeneidade de critérios, definições e medidas limita a combinação dos dados publicados.

Este estudo examinou a associação entre atividade física nos momentos de lazer (AFML) durante a gravidez e resultados antropométricos dos RNs em vários estudos prospectivos de coorte. Dentro de um consórcio criado como parte do projeto InterConnect, utilizou-se uma abordagem federada que permite incorporar dados em âmbito individual acessados
remotamente. Essa metodologia permite harmonizar variáveis de exposição e resultados, testando um mesmo modelo em cada estudo. Assim, pode reduzir a heterogeneidade em comparação às metanálises baseadas na literatura.

Os desfechos estudados foram peso ao nascimento, macrossomia (peso > 4.000 g), GIG (peso > p90 para a idade gestacional [IG]), PIG (peso < p10 para IG), índice ponderal (kg/m 3 ) e porcentagem de gordura corporal ao nascimento. Após harmonização das variáveis, observou-se que AFML moderada-intensa ou intensa e gasto energético da AFML tinham relação inversa modesta com peso ao nascimento, GIG, macrossomia e índice ponderal sem heterogeneidade. Para cada hora semanal de AFML, o risco relativo (RR) de GIG e o de macrossomia foram, respectivamente, 0,97 (IC95%: 0,96-0,98) e 0,96 (IC95%: 0,94-0,98). Após ajustes adicionais para obesidade materna e diabetes melito gestacional, as associações foram apenas modestamente reduzidas. Nenhuma medida de AFML se associou a RNs PIG.

Os dados obtidos revelaram que atividade física na gestação tardia, mas não inicial, associa-se à redução modesta no risco de GIG e macrossomia, mas não a PIG.

Atividade física durante a gravidez é recomendada para promover a saúde da gestante, mas também tem sido explorada como uma intervenção potencial para diminuir o risco de GIG e macrossomia – principalmente se não aumentar o risco de RNs pequenos para a idade gestacional (PIG)

Dra. Patrícia de Rossi - CRM/SP 79066

Acesso em 09 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30230190

REFERÊNCIAS

  1. Pastorino S, Bishop T, Crozier SR, et al.

    Associations between maternal physical activity in early and late pregnancy and offspring birth size: remote federated individual level meta-analysis from eight cohort studies.

    BJOG. 2019;126(4):459-470. doi: 10.1111/1471-0528.15476. Epub 2018 Oct 22.