Embora a saúde sexual possa ser considerada um sinal vital para a saúde geral, várias barreiras impedem que as mulheres recebam aconselhamento, apoio e/ou assistência médica adequada para suas necessidades e preocupações em relação à saúde sexual, especificamente para as mulheres que apresentam sintomas de dor durante as relações sexuais, libido ou prazer diminuído e/ou distúrbios do orgasmo. As lacunas no atendimento a esse tipo de problemas ocorrem por vários motivos. Para as pacientes, incluem o estigma social e medo de abordar o assunto, baixa conscientização das condições e/ou disponibilidade de tratamentos eficazes, e percepções errôneas sobre os tratamentos conhecidos. Para os profissionais de saúde, o cuidado subótimo pode ser decorrente de restrições de disponibilidade de tempo, falta de treinamento sobre as ferramentas de diagnóstico e opções de tratamento. Coletivamente, essas questões muitas vezes levam a resultados inadequados para a saúde sexual das mulheres.

Nesse sentido, especialistas em saúde sexual compilaram pesquisas e experiências sobre os principais obstáculos a serem transpostos para melhorar os resultados na saúde sexual das mulheres, sugerindo um roteiro para o desenvolvimento de soluções para essas barreiras.

Os resultados da pesquisa, que foi publicada no periódico científico Journal of Women's Health, apontou que o estigma social em torno da sexualidade feminina permanece presente na cultura ocidental e, como resultado, as mulheres muitas vezes evitam e/ou ficam constrangidas em discutir sua saúde sexual com os profissionais de saúde. A falta de conscientização das mulheres sobre a disponibilidade de tratamentos para condições de saúde sexual também cria barreiras. Por outro lado, existe uma falta de treinamento, ferramentas, disponibilidade de tempo e opções de tratamento que impedem que os profissionais de saúde forneçam às mulheres o apoio necessário à saúde sexual. A disponibilização de informação às mulheres, e o oferecimento de treinamentos e ferramentas de comunicação para os profissionais de saúde podem facilitar o diálogo efetivo. Mais especificamente, os profissionais de saúde podem ser treinados para iniciar e manter conversas sobre a saúde sexual, de uma maneira que seja confortável para as mulheres transmitirem suas necessidades e preocupações, e para que os profissionais de saúde identifiquem corretamente, diagnostiquem e tratem os problemas sexuais.
Os autores da pesquisa concluíram que, a saúde sexual feminina é tão importante quanto qualquer outra faceta da saúde e deve receber o mesmo nível de atenção. A oportunidade para as mulheres discutirem livre e completamente suas necessidades de saúde sexual, preocupações e possíveis opções de tratamento com um profissional de saúde de confiança é fundamental para melhorar os resultados. Apesar da importância da saúde sexual como sinal vital para a saúde e a qualidade de vida em geral, os problemas relacionados são muitas vezes deixados sem resposta, tanto pelos profissionais de saúde quanto pelas próprias pacientes. Terapias eficazes estão disponíveis, mas muitas barreiras culturais e educacionais contribuem para o sub-reconhecimento e subtratamento das condições relacionadas à saúde sexual que afetam as mulheres. Por fim, o aprimoramento do treinamento e apoio dos profissionais de saúde para alcançar conversas mais orientadas com as pacientes, levando a uma maior informação e confiança são pontos de partida importantes para o desenvolvimento de soluções necessárias para garantir resultados ótimos para a saúde sexual das mulheres.



Acesso em 14 Ago 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6482896/pdf/jwh.2018.7352.pdf

A saúde sexual feminina é tão importante quanto qualquer outra faceta da saúde e deve receber o mesmo nível de atenção.

REFERÊNCIAS

  1. Kingsberg SA, Schaffir J, Faught BM, Pinkerton JV, Parish SJ, Iglesia CB, et al.

    Female Sexual Health: Barriers to Optimal Outcomes and a Roadmap for Improved Patient-Clinician Communications.

    J Womens Health (Larchmt). 2019 Apr;28(4):432-443.