Existem várias técnicas de sutura disponíveis que podem ser utilizadas para tração e fixação em conjunto com a preparação de enxertos de tecidos moles. Esses enxertos são comumente utilizados para a reconstrução de tendões e, portanto, é fundamental que a sutura seja segura para o manuseio adequado do tecido. Estas técnicas classicamente requerem o uso de uma sutura passada por uma agulha repetidas vezes através de um tendão. Isso pode consumir muito tempo, danificar o tendão e colocar a equipe cirúrgica em risco de perfurações.

As várias perfurações do tendão feitas pela agulha podem romper suas fibras longitudinais e predispor a localização a falhas subsequentes ao enxerto. Um sistema ideal não usaria agulhas, seria realizado rapidamente e comprimiria o tendão, melhorando a configuração de enxerto tubular, facilitando sua inserção e a subsequente fixação.

Nesse sentido, pesquisadores compararam seis diferentes técnicas de fixação do enxerto para determinar a velocidade de realização do procedimento, segurança da fixação, força biomecânica e trauma resultante do tecido.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Arthroscopy, os investigadores compararam biomecanicamente 10 amostras de cada técnica de fixação, usando um modelo de tendão flexor bovino. As técnicas avaliadas foram: sutura de Krackow com fio OrthoCord (KO); sutura de Krackow com fio FiberWire (KF); FiberLoop (FL); SpeedTrap (ST); WhipKnot (WK); e sutura Loop-in-loop (LL). Cada técnica testada foi feita nos 3 cm distais do tendão. O segmento do tendão proximal de 3 cm foi fixado em uma máquina de teste e as extremidades distais suturadas foram presas por garras pneumáticas. Cada amostra foi pré-tensionada por de três ciclos de carga entre 10 N e 100 N e, em seguida, mantida estaticamente a 50 N por 1 minuto. Em seguida, cada amostra foi testada ciclicamente por 500 vezes entre 50 N e 200 N. Finalmente, cada amostra foi tensionada até a falha. Os parâmetros avaliados foram: tempo de preparação da técnica, deslocamento aos 100 e 500 ciclos, carga máxima de falha, rigidez e modo de falha.

Os tempos para a preparação das técnicas foram: KO (247s), KF (401s), FL (177s), ST (42s), WK (39s), LL (45s). Nenhuma das amostras de WK sobreviveu ao carregamento cíclico. Os resultados após 100 ciclos foram: KO (11,5 ± 3,9 mm), KF (8,9 ± 1,2 mm), FL (14,2 ± 6,1 mm), ST (8,8 ± 2,5 mm), LL (10,4 ± 2,9 mm). A técnica FL se deslocou significativamente mais do que todas as outras. As cargas máximas de falhas foram: KO (364 ± 24N), KF (375 ± 45N), FL (413 ± 95N), ST (437 ± 65N), WK (153 ± 42N), LL (329 ± 112N). O modo de falha mais comum foi a quebra da sutura. A maioria das amostras das técnicas que usaram FiberWire (Krackow e FiberLoop) trituraram ou cortaram o tendão antes da falha.
Os autores do estudo concluíram que as técnicas SpeedTrap e o FiberLoop são as mais fortes. Como a FiberLoop triturou o tendão, se deslocou mais e levou mais tempo para ser feita, os pesquisadores apontaram que performance a SpeedTrap demonstrou o melhor desempenho geral.

 
Acesso em 28 Ago 2019. Disponível em: https://www.arthroscopyjournal.org/article/S0749-8063(18)31024-7/pdf

As técnicas SpeedTrap e o FiberLoop são as mais fortes.

REFERÊNCIAS

  1. Barber FA, Howard MS, Piccirillo J, Spenciner DB.

    A Biomechanical Comparison of Six Suture Configurations for Soft Tissue-Based Graft Traction and Fixation.

    Arthroscopy. 2019 Apr;35(4):1163-1169.