Pesquisadores examinaram a relação entre a ocorrência de convulsões na infância e o risco de distúrbios psiquiátricos na adolescência e início da idade adulta.

As convulsões pediátricas têm sido associadas a distúrbios psiquiátricos na infância, mas existem poucos estudos populacionais em larga escala sobre a comorbidade psiquiátrica no decorrer da vida.

Nesse sentido, pesquisadores examinaram a relação entre a ocorrência de convulsões na infância e o risco de distúrbios psiquiátricos na adolescência e início da idade adulta.

Para o estudo, que foi apresentado no congresso da Academia Europeia de Neurologia (EAN-2019), os investigadores realizaram um estudo de coorte baseado em registros de nascimentos da Dinamarca entre 1978 e 2002. Os integrantes da coorte foram classificados de acordo com a ocorrência de convulsões febris e epilepsia antes dos 10 anos de vida. Os participantes do estudo foram acompanhados até o início dos seguintes desfechos: doença mental, morte, emigração ou até o final do período do estudo em 31 de dezembro de 2012. Os
pesquisadores utilizaram as análises de regressão de Cox para estimar o risco de transtornos psiquiátricos predefinidos em cinco grupos (transtornos por abuso de substâncias, esquizofrenia, transtornos de humor, ansiedade e transtornos de personalidade), separadamente e combinados. Os modelos foram ajustados para fatores de confusão relevantes.

Durante o período de estudo nasceram 1.291.679 crianças na Dinamarca, formando a coorte populacional de análise (aproximadamente 15 milhões de pessoas-ano). Entre os nascidos, 43.148 indivíduos apresentaram histórico de convulsões febris, 10.355 apresentaram epilepsia e 1.696 apresentavam ambos os distúrbios. Entre os participantes, 83.735 (6%) foram identificados com ao menos um dos transtornos psiquiátricos de interesse. O risco de um distúrbio psiquiátrico foi maior nos indivíduos com histórico de convulsões febris (hazard ratio [HR] 1,12, 95% IC 1,08–1,17)), epilepsia (1,34, 1,25–1,44) ou ambos os distúrbios (1,50, 1,28–1,75). O risco aumentado de doença psiquiátrica associada a convulsões na infância esteve presente em uma variedade de distúrbios diferentes, principalmente com a esquizofrenia, mas também com transtornos de ansiedade e humor. As associações não diferiram entre homens e mulheres, mas aumentaram com um número crescente de admissões por convulsões febris e com o aparecimento posterior de epilepsia infantil.

As crianças com epilepsia e convulsões febris, estes últimos com e sem epilepsia concomitante, correm maior risco de desenvolver uma ampla gama de distúrbios psiquiátricos mais tarde na vida.

Os autores do estudo concluíram que as crianças com epilepsia e convulsões febris, estes últimos com e sem epilepsia concomitante, correm maior risco de desenvolver uma ampla gama de distúrbios psiquiátricos mais tarde na vida. Segundo os investigadores, os mecanismos subjacentes atribuíveis a essas associações para identificar possíveis opções de prevenção ainda precisam ser estudados.

Acesso em 05 Set 2019. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/329479965_Childhood_seizures_and_risk_of_psychiatric_disorders_in_adolescence_and_early_adulthood_a_Danish_nationwide_cohort_study

REFERÊNCIAS

  1. Dreier JW, Pedersen CB, Cotsapas C, Christensen J.

    Childhood seizures and risk of psychiatric disorders in adolescence and early adulthood: a Danish nationwide cohort study.

    Lancet Child Adolesc Health. 2019 Feb;3(2):99- 108.