Anualmente, as doenças hipertensivas associadas à gravidez causam cerca de 46 mil mortes maternas e 1,5 a 2 milhões de mortes neonatais. Há evidências de que a suplementação de cálcio durante a gravidez previne o desenvolvimento dessas formas de hipertensão.

Anualmente, as doenças hipertensivas associadas à gravidez causam cerca de 46 mil mortes maternas e 1,5 a 2 milhões de mortes neonatais, sendo mais de 99% em países menos desenvolvidos. Há evidências ou visual aid) de que a suplementação de cálcio durante a gravidez previne o desenvolvimento dessas formas de hipertensão. O cálcio é um mineral essencial ao funcionamento fisiológico do organismo. Em indivíduos com mais de 19 anos, a ingestão diária recomendada varia de 700 a 1.000 mg. Entretanto, suas necessidades aumentam em períodos específicos, como durante a gravidez, segundo algumas recomendações, para até 1.300 mg/dia.

Na maioria dos países de baixa e média rendas (PBMR), estudos prévios mostram que a ingestão média de cálcio está bem abaixo das recomendações. Diretrizes atuais da Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendam que, nessas condições, as gestantes recebam suplementação de cálcio para prevenir pré- eclâmpsia – especialmente aquelas com mais risco de desenvolver hipertensão.

Este estudo teve o objetivo de atualizar uma revisão sistemática da OMS de 2005 que fez um mapeamento global da ingestão de cálcio durante a gravidez. Foram usados dados coletados de julho de 2004 (data do último estudo utilizado para a publicação de 2005) a novembro de 2017. Realizou-se revisão sistemática de estudos de coorte, longitudinais ou de intervenção que levantaram dados de ingestão de cálcio em qualquer trimestre da gravidez com localização definida por país. Foram excluídos estudos que trataram de populações específicas, como mulheres com diabetes, gestação múltipla, pós-cirurgia bariátrica ou vegetarianas. Foi feita uma busca nas bases de dados Medline e Embase sem restrição de idioma e os dados foram submetidos à metanálise por faixa de renda do país, país, região (ONU) e trimestre da gravidez. O nível de corte considerado para ingestão adequada foi de 800 mg/dia, estabelecido pelo Institute of Medicine (IOM) norte-americano como necessidade média estimada (estimated average requirement).

Ao final da seleção, foram incluídos 105 artigos com dados de 73.958 mulheres de 37 países: 19 países de alta renda (PAR) (57 estudos; 59.966 mulheres) e 18 PBMR (48 estudos; 13.992 mulheres). Noventa e um estudos que informaram ingestão média com desvio padrão, erro padrão ou intervalo de confiança, ou mediana com intervalo de confiança foram utilizados para metanálise.

Observou-se diferença estatisticamente significativa na ingestão média de cálcio entre os dois grupos em 300 mg/dia, com 948,3 mg/dia (IC95%: 872,1-1024,4) nos PAR versus 647,6 mg/dia (IC95%: 568,7-726,5) nos PBMR. Considerando-se a necessidade diária média de 800 mg/dia como estimativa da prevalência de inadequação dietética de um nutriente em âmbito populacional, cinco (27,8%) dos PAR apresentaram ingestão de cálcio inferior a 800 mg/dia em pelo menos um subgrupo, em comparação a 88,2% dos PBMR.

Os autores concluíram que os resultados são consistentes com falta de aumento no consumo dietético de cálcio durante a gravidez e confirmaram o hiato entre os PAR e os PBMR. Segundo a perspectiva de saúde pública e na ausência de dados locais, a suplementação de cálcio na gravidez deveria ser universal nesses países.

Anualmente, as doenças hipertensivas associadas à gravidez causam cerca de 46 mil mortes maternas e 1,5 a 2 milhões de mortes neonatais, sendo mais de 99% em países menos desenvolvidos.

Dra. Patricia de Rossi - CRM/SP 79066

Acesso em 09 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/30347499

REFERÊNCIAS

  1. Cormick G, Betrán AP, Romero IB, Lombardo CF, Gülmezoglu AM, Ciapponi A, et al.

    Global inequities in dietary calcium intake during pregnancy: a systematic review and meta-analysis.

    BJOG. 2019 Mar;126(4):444-56. doi: 10.1111/1471-0528.15512.