Apesar da disponibilidade de tratamentos eficientes para evitar grandes fraturas osteoporóticas e sua morbimortalidade associada, muitas mulheres na pós-menopausa não recebem esse cuidado.

Dados estatísticos mostram que uma em cada duas mulheres na pós-menopausa terá uma fratura osteoporótica ao longo da vida, e aquelas que sofrem uma primeira fratura apresentam um alto risco de sofrerem fraturas subsequentes. Essas fraturas podem provocar dor, diminuição da mobilidade e função, e a presença de um sentimento de medo de cair. As fraturas também estão associadas à diminuição da qualidade de vida e aumento da mortalidade.

Apesar da disponibilidade de tratamentos eficientes para evitar grandes fraturas osteoporóticas e sua morbimortalidade associada, muitas mulheres na pós-menopausa não recebem esse cuidado. A partir dosurgimento de relatos contínuos sobre fraturas femorais atípicas e osteonecrose da mandíbula, surgiram incertezas entre as mulheres na pós-menopausa e os médicos em relação aos benefícios e riscos das diferentes estratégias de manejo da osteoporose, quem deve ser tratado, quando e quais testes fazer para o monitoramento, duração apropriada da terapia e quando considerar sua interrupção.

Esses fatores levaram a uma diminuição no uso de bifosfonatos, e a um aumento da incidência de fraturas de quadril em mulheres na pós-menopausa nos Estados Unidos, sugerindo uma possível reversão no declínio ocorrido anteriormente. As diretrizes atuais do American College of Physicians (ACP) para o tratamento da baixa densidademineral óssea (DMO) ou osteoporose com a finalidade de prevenir fraturas levantaram algumas discussões, especialmente sobre a duração da terapia e o monitoramento. Desta forma, a Endocrine Society revisou as evidências atuais e apresentou recomendações diferentes em relação às terapias para o tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa.

As diretrizes apresentadas pela Endocrine Society, que foram publicadas no periódico científico The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, foram resultantes da avaliação crítica de evidências de ensaios clínicos e de percepções da experiência clínica com terapias farmacológicas para o tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa. Além disso, também foram levadas em consideração as preferências das pacientes, dados sobre adesão e continuidade do uso de medicamentos, bem como os riscos e benefícios a partir de perspectivas dos pacientes e médicos.

Esse trabalho resultou em um consenso entre os membros do Comitê da Endocrine Society de quatro princípios para o gerenciamento do tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa.

Esse trabalho resultou em um consenso entre os membros do Comitê da Endocrine Society de quatro princípios
para o gerenciamento do tratamento da osteoporose em mulheres na pós-menopausa:

1- Para orientar a tomada de decisões, o risco de fraturas em mulheres na pós-menopausa deve ser
determinado através de ferramentas de avaliação específicas para cada país;
2- As preferências das pacientes devem ser incorporadas ao planejamento do tratamento;
3- As intervenções nutricionais, de estilo de vida e de prevenção de quedas devem acompanhar todos os
esquemas farmacológicos para reduzir o risco de fraturas;
4- O uso de terapias farmacológicas com mais de um medicamento é capaz de reduzir as taxas de fraturas
em mulheres na pós-menopausa com perfis de segurança aceitáveis.

Acesso em 30 Set 2019. Disponível em: https://academic.oup.com/jcem/article-lookup/doi/10.1210/jc.2019-00221

REFERÊNCIAS

  1. Eastell R, Rosen CJ, Black DM, Cheung AM, Murad MH, Shoback

    D. Pharmacological Management of Osteoporosis in Postmenopausal Women: An Endocrine Society* Clinical Practice Guideline.

    J Clin Endocrinol Metab. 2019 May 1;104(5):1595-1622.