A urticária física (UF) é uma forma de urticária induzida por estímulos físicos específicos. As estimativas mostram que 0,5% da população apresenta urticária/angioedema induzidos fisicamente, e esta população compreende entre 20 e 30% de todos os casos de urticária crônica (UC). A prevalência de uma UF ao longo da vida é estimada entre 4 e 6%. Sua taxa de resolução é bastante variável, dependendo do subtipo de urticária física, idade de início e gravidade, sendo estimada entre 13 e 16% após um ano e 50% após 5 anos.

Entre as várias formas de UF, os estímulos e prevalência mais relevantes incluem a dermatograficidade (com uma prevalência geral entre 2 a 5%, 10% das UC), urticária ao frio (2% das UC), urticária de pressão tardia/angioedema (1-2% das UC), urticária colinérgica (11% dos adultos jovens, 2 a 5% das UC), urticária induzida por exercício, urticária por calor (0,2% das UC), urticária vibratória (0,1% das UC), urticária solar (0,4 a 0,5% das UC) e urticária aquagênica (0,3% das UC).

Seu diagnóstico se baseia em um histórico de urticária fisicamente induzida episódica, que pode ser confirmada pela reprodução desta resposta em testes de provocação (TP) no consultório. Entretanto, o TP requer equipamento adequado, treinamento e suporte clínico, levando os médicos a confiarem na história apresentada pelo paciente para o diagnóstico e as estratégias de tratamento/prevenção.

Nesse sentido, pesquisadores buscaram avaliar a consistência entre a história dos pacientes com urticária física e seus resultados no TP.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice, 76 indivíduos, com idades entre 3 e 77 anos, com diagnóstico de urticária física foram avaliados com TP direcionado ao diagnóstico inicialmente apresentado, mas com a inclusão de outros estímulos suspeitos com base na história apresentada pelo paciente. A maioria dos participantes foi testado para 3 ou mais estímulos, sendo realizados 294 TP. Cinquenta e sete participantes foram entrevistados um ano após o TP para confirmar o estado de sua UF.

Dos 76 indivíduos com história de urticária física, 38% tiveram um resultado negativo no TP para o diagnóstico inicialmente apresentado. Oito indivíduos dentro do grupo com resultado negativo no TP reagiram positivamente para testes com outros estímulos, portanto, 28% permaneceram negativos para todos os TPs, permitindo a descontinuação da medicação e do comportamento de evitação. O resultado negativo no teste foi menos provável com indivíduos que apresentaram urticária induzida pelo frio (25%), urticária de pressão tardia (25%) e dermatograficismo (29%), e ainda mais comum com urticária colinérgica (65%) e solar (67%).

Os resultados da entrevista de acompanhamento após 1 ano foram consistentes com os resultados iniciais. Dezenove participantes deste subgrupo passaram novamente pelo TP e o resultado permaneceu inalterado em 17 indivíduos, mas em 2 indivíduos a urticária havia se resolvido.
Os autores do estudo concluíram que, o diagnóstico de urticária física baseado na história do paciente deve ser verificado por testes de provocação sempre que possível, particularmente se a condição for considerada grave e, portanto, que demande mudanças significativas no estilo de vida e intervenções farmacológicas.

 
Acesso em 28 Ago 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4254441/pdf/nihms614971.pdf

O diagnóstico de urticária física baseado na história do paciente deve ser verificado por testes de provocação sempre que possível, particularmente se a condição for considerada grave e, portanto, que demande mudanças significativas no estilo de vida e intervenções farmacológicas.

REFERÊNCIAS

  1. Komarow HD, Arceo S, Young M, Nelson C, Metcalfe DD.

    Dissociation between history and challenge in patients with physical urticaria.

    J Allergy Clin Immunol Pract. 2014 Nov-Dec;2(6):786-90.