Dados indicam que a prevalência de sintomas de rinoconjuntivite alérgica (RA) em crianças e adolescentes brasileiras é 12,6% e 14,6%, respectivamente. Embora a RA seja vista como uma doença de menor gravidade, ela é capaz de alterar drasticamente a qualidade de vida dos pacientes acometidos, bem como seu desempenho, aprendizado e produtividade. Distúrbios do sono, dificuldade de concentração, diminuição do desempenho e sonolência diurna têm sido relatados por pacientes com RA.

A avaliação da interferência da RA no sono tem sido estudada, mas o uso de métodos objetivos, como a polissonografia, é muito limitado. Desta forma, foram desenvolvidos questionários e escalas de avaliação do sono para uso em estudos. Dentre estes instrumentos, se destaca o uso do Questionário de Hábitos de Sono das Crianças (QHSC), cujo objetivo é avaliar o comportamento do sono em crianças em idade escolar.

Nesse sentido, pesquisadores avaliaram a presença de distúrbios do sono em crianças com RA persistente de intensidade moderada a grave, e correlacionaram esses achados com marcadores de gravidade da doença.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Brazilian Journal of Otorhinolaryngology, foram avaliadas 167 crianças com idades entre 4 e 10 anos, sendo 112 com RA e 55 controles saudáveis. Os pais/responsáveis das crianças responderam ao QHSC relacionado à semana anterior, composto de 33 questões, divididas em oito subescalas e podendo variar entre 35 e 105 pontos. As questões do QHSC abordam, entre outros aspectos: parassonias (enurese, fala durante o sono, ficar inquieto e agitação durante o sono); sonambulismo; ranger os dentes durante o sono; acordar gritando, sudorese; acordar assustado após um pesadelo; distúrbios respiratórios do sono (ressona alto; parece parar de respirar durante o sono, ronco) e sonolência diurna (pela manhã: acorda por si próprio, acorda mal-humorado, tem dificuldade em sair da cama, demora a ficar bem acordado, parece cansado quando: vê TV, anda de carro). Os pacientes com RA também foram avaliados quanto ao escore de sintomas nasais e extranasais relacionados à semana anterior e ao pico de fluxo inspiratório nasal.

Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas entre grupos de diferentes idades. Todos os pacientes com RA estavam sendo tratados com corticosteroides tópicos nasais. O escore total do QHSC foi significativamente maior entre as crianças com rinite (48) do que nos controles (43). Também foram observados valores significativamente maiores para as subescalas parassonias (9 contra 8), distúrbios respiratórios (4 contra 3) e sonolência diurna (14 contra 12). Entre os pacientes com rinite, não foram observadas correlações significativas entre o escore total do QHSC e as variáveis de atividade da doença, mas foram observadas correlações moderadas para a subescala ‘desconforto respiratório’ em relação aos escore de ‘sintomas nasais e extra-nasais’.
Os autores do estudo concluíram que as crianças com rinite alérgica persistente moderada-grave, mesmo quando submetidas a tratamento regular, apresentam maior frequência de distúrbios do sono do que controles saudáveis, particularmente em relação a distúrbios respiratórios noturnos e sonolência diurna. A intensidade dos distúrbios do sono encontrados nessas subescalas se correlacionaram com marcadores objetivos da gravidade da RA.

 
Acesso em 05 Set 2019. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1808869417300307/pdfft?md5=8e9da7603d1e45a5102680c8b09c8c8d&pid=1-s2.0-S1808869417300307-main.pdf

As crianças com rinite alérgica persistente moderada-grave, mesmo quando submetidas a tratamento regular, apresentam maior frequência de distúrbios do sono do que controles saudáveis, particularmente em relação a distúrbios respiratórios noturnos e sonolência diurna.

REFERÊNCIAS

  1. Loekmanwidjaja J, Carneiro ACF, Nishinaka MLT, Munhoes DA, Benezoli G, Wandalsen GF, et al.

    Sleep disorders in children with moderate to severe persistent allergic rhinitis.

    Braz J Otorhinolaryngol. 2018 Mar - Apr;84(2):178-184.