A dermatite atópica (DA) é uma doença inflamatória crônica da pele caracterizada pela presença de eczema com prurido e disfunções da barreira cutânea. Nos últimos anos, a prevalência da DA aumentou, com uma morbidade estimada entre 15% e 30% entre as crianças, e entre 2% e 10% entre os adultos. A DA ocorre comumente por volta de 1 ano de idade e 85% dos pacientes desenvolvem os sintomas aos 5 anos. O desenvolvimento da DA é influenciado por diversos fatores ambientais e pela genética. A DA está acompanhada pela ictiose vulgar, um distúrbio hereditário que provoca uma disfunção da barreira da pele. Pesquisas anteriores identificaram mutações de perda de função no gene da filagrina (GFL) em pacientes com ictiose vulgar, e uma associação genética com a DA foi amplamente relatada. O GFL é uma proteína chave para o funcionamento da barreira da pele, que impede a invasão de produtos químicos tóxicos, bactérias e alérgenos, e atua como um fator de hidratação. A disfunção da barreira cutânea e a pele seca estão associadas à DA, portanto, a perda de função do GFL pode influenciar na barreira física da pele, resultando na penetração de antígenos nas camadas inferiores da epiderme e a ativação da resposta imune.

Estudos anteriores relacionaram as mutações de perda de função do GFL em pacientes com DA, fornecendo evidência de uma forte associação com seu início em idade precoce, mas não com o início na infância ou na idade adulta, devido a uma possível influência de razões genéticas e fatores ambientais adquiridos. Os pacientes com DA de início precoce podem ter mais fatores genéticos predisponentes, enquanto que desenvolvimento da doença em pacientes com DA de início tardio, ou com início na idade adulta, pode estar associado a uma maior exposição ambiental.

Nesse sentido, pesquisadores investigaram o efeito de mutações de perda de função do GFL no desenvolvimento de DA em uma coorte de nascimento.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Journal of Human Genetics, os investigadores coletaram dados sobre o status de diagnóstico de DA em cada faixa etária até os 6 anos de idade em 712 participantes, e avaliaram oito mutações de perda de função do GFL.

As mutações de perda de função do GFL foram significativamente associadas ao início da DA na infância com menos de 2 anos, mas não com início da DA a partir dos 3 anos. Além disso, nenhuma das crianças analisadas que desenvolveu DA a partir dos 5 anos de idade sofreu mutações de perda de função do GLF.
Os autores do estudo concluíram que, o efeito da mutação de perda de função do GLF é proeminente em um estágio muito precoce da vida.

 
Acesso em 05 Set 2019. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s10038-019-0628-y

O efeito da mutação de perda de função do GLF é proeminente em um estágio muito precoce da vida.

REFERÊNCIAS

  1. Koseki R, Morii W, Noguchi E, Ishikawa M, Yang L, Yamamoto-Hanada K, et al.

    Effect of filaggrin loss-of-function mutations on atopic dermatitis in young age: a longitudinal birth cohort study.

    J Hum Genet. 2019 Sep;64(9):911-917.