Esta publicação é uma excelente revisão sobre os efeitos dos probióticos, prebióticos e simbióticos na saúde humana. Sabemos que nosso trato gastrointestinal é colonizado por um complexo ecossistema de microrganismos, que não são apenas comensais, eles também interagem com nosso sistema entérico através de uma complexa relação simbiótica.

Bactérias intestinais benéficas têm funções numerosas e importantes, por exemplo, produzir vários nutrientes para o hospedeiro, prevenir infecções causadas por patógenos intestinais e modular uma resposta imunológica normal.

Portanto, modificações da microbiota intestinal a fim de alcançar, restaurar e manter um equilíbrio favorável ao ecossistema local muitas vezes são necessárias para melhorar saúde gastrointestinal, e consequentemente, de todo organismo.

O termo “probiótico” vem do grego e significa “para vida”, entretanto, o conceito e definição evoluiu com o tempo e com os estudos, atualmente é definido como: “microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro”.

A revisão de Markowiak & Slizewska destaca inúmeros estudos clínicos documentando a ação benéfica dos probióticos para inúmeras patologias gastrointestinais com a diarreia aguda, diarreia pós antibiótico, infecção por Helicobacter pylori, doenças inflamatórias intestinais, síndrome do intestino irritável, constipação intestinal e patologias extra intestinais como a dermatite atópica.

Destacam muitos estudos promissores que provaram a eficácia dos probióticos como coadjuvantes no tratamento da obesidade, síndrome da resistência à insulina, diabetes tipo 2 e a doença hepática gordurosa não alcoólica.

Além disso, o conhecido efeito imunomodulador via sistema GALT (Gut Associated Lymphoid Tissue), que promove nosso intestino ao degrau de maior órgão linfoide do corpo humano.

São muitos os benefícios, mas o artigo destaca que a eficácia dos probióticos é “cepa dependente”, ou seja, a eficácia e segurança é ligada à cepa utilizada nos estudos específicos, assim como as doses recomendadas de probióticos, lembrando que não é a quantidade, mas a qualidade e especificidade da cepa utilizada que trará o benefício esperado.

Outro detalhe, os probióticos precisam de alimentos específicos para sobreviverem, representados pelas fibras prebióticos que são definidas como “ingredientes seletivamente fermentados que permitem mudanças específicas na composição e/ou atividade da microbiota gastrointestinal, conferindo assim benefícios à saúde do hospedeiro”.

A associação de um prebiótico com um probiótico é chamada de simbiótico.

O mecanismo de ação dos probióticos pode ser resumido em quatro itens:

- Antagonismo através da produção de substâncias antimicrobianas

- Competição com patógenos por adesão ao epitélio e por nutrientes.

- Imunomodulação do hospedeiro.

- Inibição da produção de toxinas bacterianas

Os produtos probióticos podem conter uma ou mais linhagens microbianas selecionadas, os microrganismos pertencem principalmente aos gêneros: Lactobacillus, Bifidobactérias e Lactococus, além das cepas de bactérias Gram-positivas pertencentes ao gênero Bacillus e algumas cepas de levedura pertencentes ao gênero Saccharomyces.

O quadro abaixo destaca os probióticos mais utilizados nos estudos clínicos.

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O Bacillus clausi é classificado no grupo de “outros microrganismos” porque é uma bactéria diferenciada, é utilizada como probiótico na forma de esporos, uma forma resistente de vida que sobrevive na passagem das condições ácidas do estômago, sobrevivendo para atingir o intestino onde se desenvolvem, aderindo à parede intestinal e principalmente promovendo a colonização na mucosa, e assim promovendo seus efeitos probióticos.

Jayanthi & Ratna Sudha relatam em seu estudo que esta vantagem adicional de ser um probiótico na forma de esporos, o diferencia como um probiótico muito resistente e estável que pode ser armazenado à temperatura ambiente, e os estudos mostram eficácia e segurança principalmente nos quadros de diarreia aguda, diarreia pós antibiótico e coadjuvante no tratamento do Helicobacter pylori.

A revisão de Markowiak & Slizewska conclui que avançamos muito no conhecimento dos efeitos benéficos dos probióticos, mas sinalizam que mais estudos com cepas específicas, para patologias alvo, devem ser desenhados e conduzidos para conhecermos e detalharmos ainda mais o mecanismo de ação e os benefícios que cada probiótico pode trazer para saúde humana.
Dr. Tadeu Fernando Fernandes

Especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo e pela Associação Médica Brasileira. Presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo – Regional Campinas e Presidente do Departamento de Cuidados Primários com a Criança da Sociedade de Pediatria de São Paulo,CRM/SP 46.876

Código Zinc: SABR.SA.19.07.1377a

REFERÊNCIAS

  1. Markowiak P, Slizewska K.

    Slizewska K. Effects of Probiotics, Prebiotics, and Synbiotics on Human Health.

    Nutrients 2017, 9, 1021.

  2. Jayanthi N, Ratna Sudha M.

    Bacillus clausii - The Probiotic of Choice in the Treatment of Diarrhoea.

    J Yoga Phys Ther 2015. 5: 211.