Pesquisadores desenvolveram um sistema de triagem baseado na Escala de Manchester e adaptado para o manejo ortopédico, e avaliaram sua confiabilidade e validade na detecção de condições clínicas de maior gravidade.

Os pacientes que passam por longos períodos de espera no pronto-socorro têm sido associados a uma maior morbidade. Os sistemas de triagem têm como objetivo identificar os pacientes que apresentam condições severas e que necessitam ser priorizados para receber tratamento urgente. Porém, antes desses sistemas serem implementados nos prontos-socorros, precisam passar por validações.

O “Escala de Manchester” é um dos sistemas de triagem mais amplamente utilizado na prática, e inclui alguns distúrbios ortopédicos, como dores nas costas, infecções locais e traumas. Estudos anteriores relataram a eficácia de sistemas específicos para triagem ortopédica em serviços ambulatoriais, mas não em prontos-socorros.

Nesse contexto, pesquisadores desenvolveram um sistema de triagem baseado na Escala de Manchester e adaptado para o manejo ortopédico, e avaliaram sua confiabilidade e validade na detecção de condições clínicas de maior gravidade.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Acta Ortopédica Brasileira, os investigadores desenvolveram cinco fluxogramas de triagem, com base na escala de Manchester, para os seguintes distúrbios ortopédicos: lesões traumáticas, dor articular, dor vertebral, transtornos pós-operatórios e infecções musculoesqueléticas. Uma série de pacientes triados por dois ortopedistas foram analisados para avaliar a concordância entre os avaliadores (confiabilidade) e sua validade como preditor de gravidade.

A análise de confiabilidade incluiu 231 pacientes e apresentou uma concordância de 84% para as lesões traumáticas, 88% para dores articulares, 76% para dores vertebrais; 93% para transtornos pós-operatórios, e 75% para infecções, alcançando uma confiabilidade geral de 84%. Na análise de validade, que incluiu 138 pacientes, a categoria de risco teve forte associação com a necessidade de atendimento hospitalar em pacientes com trauma, mas não foi significativa para os transtornos não traumáticos. A sensibilidade e especificidade foram de 79% e 63%
para lesões traumáticas, e de 31% e 85% para as lesões não traumáticas, respectivamente. A sensibilidade e especificidade gerais foram de 64% e 76%, respectivamente.

O sistema de triagem baseado na Escala de Manchester e adaptado aos cenários ortopédicos, mostrou uma alta confiabilidade quando utilizado por diferentes profissionais, sendo eficiente na detecção de pacientes com lesões traumáticas que precisavam de cuidados hospitalares.

Os autores do estudo concluíram que o sistema de triagem baseado na Escala de Manchester e adaptado aos cenários ortopédicos, mostrou uma alta confiabilidade quando utilizado por diferentes profissionais, sendo eficiente na detecção de pacientes com lesões traumáticas que precisavam de cuidados hospitalares. No entanto, o sistema apresentou baixa sensibilidade para detectar pacientes com lesões não traumáticas que precisavam de cuidados hospitalares. Na opinião dos pesquisadores, esses últimos achados não impedem o uso do sistema de Manchester no pronto-socorro ortopédico, porém deve ser dada uma maior atenção aos pacientes com lesões não traumáticas, para evitar a subavaliação clínica.

Acesso em 05 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6362691/pdf/1809-4406-aob-27-01-0050.pdf

REFERÊNCIAS

  1. Andrade-Silva FB, Takemura RL, Bellato RT, Leonhardt MC, Kojima KE, Silva JDS.

    Validity and Reliability of The Manchester Scale Used in The Orthopedic Emergency Department.

    Acta Ortop Bras. 2019 Jan-Feb;27(1):50-54.