Pesquisadores selecionaram médicos, residentes e estagiários que trabalhavam em plantões de 24 horas para investigar o papel da qualidade do sono e dos problemas psicossociais como preditores de distúrbios gastrointestinais funcionais.

Os distúrbios gastrointestinais funcionais (DGIFs), que incluem a dispepsia funcional (DF) e a síndrome do intestino irritável (SII), são identificados por critérios de diagnósticos baseados em sintomas. O estresse é um fator que pode agravar os sintomas dos DGIFs, por meio de seus efeitos no sistema nervoso central (SNC), em situações de risco de vida e estresse agudo ou crônico, possivelmente resultando em distúrbios motores-sensoriais do trato gastrointestinal. O estresse psicossocial e físico, como infecções, traumas e excesso de trabalho, podem contribuir para o desenvolvimento ou agravamento dos sintomas dos DGIFs. Os padrões de sono alterados também podem estar relacionados aos DGIFs e as alterações da sensibilidade intestinal. Estudos anteriores mostraram que o estresse psicológico em enfermeiros que trabalhavam no período noturno estava associado aos DGIFs.

Frente a esses fatos, pesquisadores selecionaram médicos, residentes e estagiários que trabalhavam em plantões de 24 horas para investigar o papel da qualidade do sono e dos problemas psicossociais como preditores de DGIFs. Para o estudo, que foi publicado no periódico científico World Journal of Gastroenterology, os investigadores aplicaram o Questionário Roma III e o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI) em 170 participantes que atendiam aos critérios de inclusão.

Os resultados encontrados revelaram que, entre os participantes que passaram por plantões de 24 horas nos últimos 6 meses, 48 (28,2%) possuíam DGIFs. A prevalência geral da SII e DF foi de 16,5% e 17,1%, respectivamente, sendo que 5,3% apresentavam ambas moléstias. Entre os grupos de médios com DGIFs e sem DGIFs, houve diferenças significativas nas pontuações em relação à qualidade do sono (8,79 vs 7,30), presença de alerta psicossocial grave (83,3% vs 56,6), e na proporção de médicos que trabalharam por mais de 2 meses fazendo plantões (81,2% vs 68,9%). A análise também revelou que a presença de alerta psicossocial grave foi um fator de risco independente para prevalência de DF, e que a má qualidade do sono foi um preditor de SII.

Os médicos que trabalham em plantões de 24 horas apresentaram uma maior prevalência de comprometimento do sono e estresse psicológico.

Os autores do estudo concluíram que, os médicos que trabalham em plantões de 24 horas apresentaram uma maior prevalência de comprometimento do sono e estresse psicológico. Além disso, os investigadores também demostraram o papel do comprometimento do sono e do estresse psicológico na patogênese da DF e da SII, revelando a necessidade de uma abordagem abrangente para gerenciar os pacientes com DGIFs.

Acesso em 04 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5434440/pdf/WJG-23-3330.pdf

REFERÊNCIAS

  1. Lim SK, Yoo SJ, Koo DL, Park CA, Ryu HJ, Jung YJ, et al.

    Stress and sleep quality in doctors working on-call shifts are associated with functional gastrointestinal disorders.

    World J Gastroenterol. 2017 May 14;23(18):3330-3337.