Em 2010, a organização humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF) implantou uma rede de telemedicina para auxiliar sua equipe médica, fornecendo acesso a aconselhamentos especializados. Até agosto de 2017 mais de 6.000 casos foram atendidos por esse sistema.

Para avaliar seus resultados, pesquisadores realizaram um estudo para descrever essa experiência de serviço de telemedicina em ambientes de poucos recursos durante o período de 1 de julho de 2010 a 30 de junho de 2017.

Durante esse período, foram submetidos 5.646 casos ao atendimento de telemedicina, sendo que o número de casos aumentou constantemente, passando de 2 para 18 casos por semana. O uso do serviço aumentou constantemente em relação ao número de hospitais que utilizaram o serviço e número de casos por hospital. Também foi constatado um aumento na complexidade dos casos apresentados. Apesar do aumento do número de casos, o tempo de alocação foi reduzido de 0,9 para 0,2 horas, e o tempo médio para responder cada caso diminuiu de 20 para 5 horas. As pontuações nos indicadores de qualidade se mantiveram estáveis. Entre os usuários a avaliação foi considerada geralmente positiva, sendo que mais de 90% dos entrevistados relataram que seu caso havia sido enviado a um especialista apropriado, que a resposta foi suficientemente rápida e que a teleconsulta foi útil para proporcionar um benefício educacional ao encaminhador.
Os autores do estudo concluíram que o serviço de telemedicina desenvolvido pelo MSF apresentou um atendimento de qualidade, mesmo com o aumento do número de casos durante os sete anos de análise. Na opinião dos investigadores, o acesso ao atendimento especializado direto em ambientes com poucos recursos melhorou o gerenciamento dos pacientes e agregou um valor educacional de longo prazo para os médicos em campo, trazendo benefícios adicionais a outros pacientes.

 
Acesso em 28 Ago 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6292825/pdf/jogh-08-020414.pdf

O serviço de telemedicina desenvolvido pelo MSF apresentou um atendimento de qualidade, mesmo com o aumento do número de casos durante os sete anos de análise.

REFERÊNCIAS

  1. Delaigue S, Bonnardot L, Steichen O, Garcia DM, Venugopal R, Saint-Sauveur JF, et al.

    Seven years of telemedicine in Médecins Sans Frontières demonstrate that offering direct specialist expertise in the frontline brings clinical and educational value.

    J Glob Health. 2018 Dec;8(2):020414.