Alguns fatores ocupacionais foram implicados na interrupção da regulação circadiana, o que, por sua vez, poderia afetar os resultados reprodutivos entre as mulheres. Estudos anteriores encontraram associações entre o trabalho noturno, longas jornadas e fatores físicos com o aumento do risco de distúrbios do ciclo menstrual, aborto espontâneo, nascimento prematuro e baixo peso ao nascer. Entretanto, a relação desses fatores ocupacionais com a fecundidade é menos clara.

Nesse sentido, pesquisadores examinaram se o trabalho noturno e o trabalho fisicamente exigente estão associados com marcadores de reserva ovariana (contagem total de folículos antrais [CFA] e níveis de hormônio folículo estimulante [FSH]) e com a resposta ovariana à hiperestimulação controlada durante a fertilização in vitro (FIV) (níveis de pico de estradiol [E2] e produção de oócitos) entre mulheres que frequentaram um centro de fertilidade.

Para a pesquisa, que foi publicada no periódico científico Occupational and Environmental Medicine, foram incluídas 473 mulheres para a análise de reserva ovariana e 313 para a análise de resposta ovariana. As Informações sobre fatores ocupacionais foram coletadas por meio de um questionário, e os resultados reprodutivos foram extraídos de registros médicos eletrônicos.

Os resultados mostraram que as mulheres que relataram levantar ou mover objetos pesados no trabalho tiveram em média 1 oócitos totais a menos, menos 1,4 oócitos maduros e 0,7 menos folículos antrais, quando comparadas às mulheres que relataram nunca levantar ou mover objetos pesados no trabalho. Também foi encontrada uma associação inversa entre o trabalho pesado e a produção de oócitos em mulheres maiores de 37 anos e com índice de massa corporal ≥25 kg/m2. As mulheres que trabalharam nos períodos do final da tarde, noturno ou rotativo apresentaram 2,3 menos oócitos maduros, em média, em comparação com as mulheres que trabalhavam apenas em períodos diurnos.
Segundo os autores do estudo, os resultados da pesquisa mostraram que as mulheres que trabalhavam em turnos não diurnos e aquelas com trabalhos fisicamente exigentes apresentaram menos oócitos maduros após a hiperestimulação ovariana controlada. Estes resultados fornecem informações sobre os possíveis mecanismos que relacionam essas exposições ocupacionais à diminuição da fecundidade.

 

Acesso em 15 Ago 2019.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5438763/

REFERÊNCIAS

  1. Mínguez-Alarcón L, Souter I, Williams PL, Ford JB, Hauser R, Chavarro JE, et al.

    Occupational factors and markers of ovarian reserve and response among women at a fertility centre.

    Occup Environ Med. 2017 Jun;74(6):426-431.