A insônia e os transtornos depressivos maiores (TDM) compartilham uma relação bi-direcional íntima e frequentemente concorrem. Entre 80% e 90% dos indivíduos com TDM apresentam sintomas de insônia, e têm sido associados a uma maior gravidade dos sintomas depressivos e maior risco de recaída da depressão. No entanto, ainda são pouco compreendidas as diferenças individuais dos pacientes nas trajetórias dos sintomas depressivos durante e após o tratamento, na comorbidade entre insônia e depressão.

Nesse sentido, pesquisadores analisaram a heterogeneidade nas trajetórias de longo prazo da depressão e examinaram seus correlatos e, particularmente, as características relacionadas à insônia.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Journal of Consulting and Clinical Psychology, os investigadores recrutaram 148 adultos (73% mulheres), com uma média de 46,6 anos de idade, que apresentavam insônia e TDM, que recebiam farmacoterapia antidepressiva. Os participantes foram randomizados para realizar, durante 16 semanas, 7 sessões de Terapia Cognitiva Comportamental para Insônia (TCC-I) ou de terapia controle. A gravidade da depressão e insônia foram avaliadas no início do estudo, quinzenalmente durante o período de tratamento e, posteriormente, a cada 4 meses até completarem 2 anos de acompanhamento. Os investigadores também avaliaram o esforço para dormir e as crenças sobre o sono dos participantes.

Os resultados da análise revelaram três classes de pacientes: Classe 1 - pacientes parcialmente respondedores (68,9%), que apresentaram uma moderada redução dos sintomas no início do tratamento e mantiveram uma depressão leve durante o acompanhamento; Classe 2 - pacientes inicialmente respondedores (17,6%), que apresentaram uma redução acentuada dos sintomas durante o tratamento e baixa gravidade da depressão no pós-tratamento, mas que tiveram um aumento na severidade dos sintomas durante o acompanhamento; Classe 3 - pacientes respondedores ótimos (13,5%), que alcançaram a maioria dos benefícios durante o início do tratamento, continuaram melhorando, e mantiveram a depressão em um nível mínimo durante o acompanhamento. As classes não diferiram significativamente nas medidas iniciais ou no tratamento recebido, mas diferiram nas medidas relacionadas à insônia após o início do tratamento, sendo que os pacientes ‘Classe 3’ apresentaram consistentemente menor insônia, esforço para dormir e crenças sobre o sono.
Os autores do estudo concluíram que, durante um acompanhamento de 2 anos, foi possível identificar três classes distintas de depressão em pacientes com TDM comórbida com distúrbios de insônia. Os pacientes com as maiores e mais sustentadas melhorias nos sintomas de depressão, consistentemente apresentaram níveis mais baixos de insônia. As melhoras precoces nos sintomas e características relacionadas à insônia podem ser úteis para prever os desfechos de longo prazo em pacientes com depressão.

 
Acesso em 28 Ago 2019.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5841584/pdf/nihms929944.pdf

REFERÊNCIAS

  1. Bei B, Asarnow LD, Krystal A, Edinger JD, Buysse DJ, Manber R.

    Treating insomnia in depression: Insomnia related factors predict long-term depression trajectories.

    J Consult Clin Psychol. 2018 Mar;86(3):282-293.