Os ossos, tendões, ligamentos e cartilagens são constituídos por uma matriz complexa com um alto conteúdo de colágeno, uma proteína estrutural vital para essas estruturas e suas propriedades biomecânicas. Estudos sugerem que a suplementação dietética com fontes de peptídeos derivados de colágeno forneça efeitos benéficos em pacientes com tendinopatias, instabilidades articulares crônicas, osteoartrite (OA) e dores articulares relacionadas com atividades. Assim, têm sido sugeridas intervenções nutricionais focadas em componentes de aminoácido (AA) de colágeno para melhorar sua síntese e, potencialmente, retardar o processo degenerativo nas articulações afetadas pela OA. No entanto, para alcançar esses efeitos benéficos potenciais, é fundamental que ocorra uma digestão e absorção ideal dos AA do colágeno. A digestibilidade das proteínas pode variar dependendo da fonte da dieta e dos métodos de processamento. A hidrólise enzimática das proteínas é um processo que influencia na sua digestão, já que estudos prévios sobre proteínas do leite mostraram uma maior absorção e biodisponibilidade pós-prandial dos AA quando a fonte proteica passa por esse processo. Consequentemente, se espera um aumento nas taxas de absorção quando as estruturas de proteína de colágeno passem pela hidrólise enzimática.

Nesse sentido, pesquisadores examinaram a absorção pós-prandial de colágeno hidrolisado para elucidar o impacto da hidrólise enzimática exógena na sua taxa de absorção e biodisponibilidade.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Nutrients, os investigadores realizaram uma intervenção randomizada, cega e controlada com placebo, em 3 grupos de indivíduos. O primeiro grupo recebeu uma proteína de colágeno hidrolisada enzimaticamente (CHE), o segundo grupo recebeu uma proteína de colágeno não-hidrolisada enzimaticamente (CN), e o terceiro grupo recebeu apena água. Foram coletadas amostras de sangue dos participantes para a realização de um metaboloma de plasma sanguíneo, para verificar se a presença de aminoácidos circulantes seria mais rápida e pronunciada após a ingestão de CHE.

Os resultados mostraram um aumento significativo na concentração plasmática de quase todos os aminoácidos (AAs) durante um período de 240 minutos nos grupos CHE e CN. Todas as concentrações de AA atingiram o pico mais rápido após a ingestão de CHE em comparação com CN, e para muitos AAs foi observada uma diferença significativa na concentração de AA 20 min após a ingestão entre CHE e CN. Além disso, a taxa de absorção e biodisponibilidade de glicina, prolina e hidroxiprolina foram significativamente maiores no grupo CHE.
Os autores concluíram que, mediante uma análise metabolômica de plasma sanguíneo, o consumo de uma hidrólise enzimática de colágeno foi associado a uma taxa de absorção aumentada de glicina, prolina e hidroxiprolina 20 minutos após a ingestão. Além disso, os resultados sugeriram uma maior biodisponibilidade de glicina, prolina e hidroxiprolina com o uso de colágeno enzimaticamente hidrolisado em comparação com um hidrolisado de colágeno não enzimaticamente hidrolisado.

 
Acesso em 05 Set 2019.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6566347/pdf/nutrients-11-01064.pdf

Mediante uma análise metabolômica de plasma sanguíneo, o consumo de uma hidrólise enzimática de colágeno foi associado a uma taxa de absorção aumentada de glicina, prolina e hidroxiprolina 20 minutos após a ingestão.

REFERÊNCIAS

  1. Skov K, Oxfeldt M, Thøgersen R, Hansen M, Bertram HC.

    Enzymatic Hydrolysis of a Collagen Hydrolysate Enhances Postprandial Absorption Rate-A Randomized Controlled Trial.

    Nutrients. 2019 May 13;11(5).