A ideia de que a perda de biodiversidade leva à disfunção imunológica e a doenças alérgicas foi apresentada à comunidade científica em 2012, por Hanski et al., e corroborada por dados observacionais da evolução das doenças alérgicas em ambientes com perdas de biodiversidade.

A ideia de que a perda de biodiversidade leva à disfunção imunológica, e a doenças alérgicas, foi apresentada à comunidade científica em 2012, por Hanski et al., corroborada por dados observacionais da evolução das doenças

alérgicas, como por exemplo a rinite alérgica, nesses ambientes com perdas de biodiversidade. Asma e rinite, especialmente se associadas à imunoglobulina E (IgE) e agravada pela exposição a alérgenos, são exemplos de Doenças não transmissíveis (DNTs), que têm crescido junto com a urbanização. A figura 1 apresenta a hipótese da biodiversidade e mostra o passo a passo que começa com o declínio da biodiversidade e a consequente perda da microbiota, que levará a um desequilíbrio que provocará um distúrbio da resposta imune que culmina com o aumento no risco das doenças inflamatórias e alérgicas. A diversidade microbiana desempenha um papel na saúde e na doença. Um exemplo clássico ocorre na pele.
Quando a diversidade da microbiota é alta, tem-se uma pele saudável, entretanto, com o uso de substâncias antissépticas, antibióticos tópicos e/ou corticoides, há um desequilíbrio da microbiota e ocorre exacerbação, por exemplo, do eczema atópico, que tem como principal agente desencadeante a invasão pelo Staphylococcus aureus, um oportunista (Figura 2).

Na imagem superior, consta uma pele normal com uma microbiota saudável e, na inferior, uma pele inflamada com diversidade microbiana bem reduzida e colonizada predominantemente por S. aureus. Asma e rinite são exemplos de doenças crônicas não comunicáveis que cresceram com a urbanização. O artigo mostra a evolução das descobertas científicas e a evolução das doenças.

• A hipótese da higiene foi primeiramente ligada à falta de infecções na infância e ao consequente aumento da
suscetibilidade a alergias. Atualmente, a ideia foi ampliada e mostra que é necessário ter contato com um
repertório de microrganismos simbióticos que se mostraram essenciais ao desenvolvimento da tolerância
imunológica.

• O microbioma humano se apresenta pela soma de todos os organismos microbianos e seu conteúdo genético no
corpo humano. A sistemática exploração do microbioma humano começou a ser desenvolver nos últimos dez anos.

• A teoria da metapopulação em ecologia diz respeito a espécies e suas interações em hábitats naturais ou
artificialmente fragmentados. Pode ser usada para prever a extinção de espécies. A teoria também pode ser
relevante no mundo microbiano. A metapopulação é uma "população de populações".

• Estamos na época da globalização da saúde e da doença. Megatendências atuais, urbanização, aquecimento
global e perda de biodiversidade estão interligados em determinar a saúde e a segurança humana.

Como mostra a figura 3, os circuitos imunorreguladores adaptativos e a homeostase dinâmica estão em jogo no novo entorno urbano recém-surgido. Na alergia e nos distúrbios inflamatórios crônicos em geral, explorar os determinantes da imunotolerância é a chave para a prevenção e o tratamento mais efetivo dessas patologias.

 

 

 

A diversidade microbiana desempenha um papel na saúde e na doença. Um exemplo clássico ocorre na pele. Quando a diversidade da microbiota é alta, tem-se uma pele saudável, entretanto, com o uso de substâncias antissépticas, antibióticos tópicos e/ou corticoides, há um desequilíbrio da microbiota e ocorre exacerbação, por exemplo, do eczema atópico, que tem como principal agente desencadeante a invasão pelo Staphylococcus aureus, um oportunista

Dr. Tadeu Fernandes

REFERÊNCIAS

  1. Haahtela T.

    A biodiversity hypothesis.

    Allergy. 2019;74:1445-56.