Apesar dos esforços para melhorar o manejo da dor pós-operatória (DPO), mais de 50% dos pacientes sofrem com dor, de moderada a grave intensidade, logo após a realização de uma cirurgia. Alguns fatores de risco reconhecidamente podem aumentar a intensidade da DPO, entretanto, a relação entre o sexo dos pacientes e a DPO ainda carece de investigações mais aprofundadas.

Pesquisadores levantaram a hipótese de que as diferenças entre os sexos existem, mas podem ser influenciadas por certos fatores. Para confirmar essa ideia, eles avaliaram a influência do sexo em diferentes parâmetros de resultados clinicamente relevantes para a DPO, levando em conta o papel de fatores de confusão presumidos para as diferenças de sexo.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico PLoS One, os autores rastrearam 1.372 pacientes submetidos à cirurgia ortopédica. Destes, 890 pacientes foram incluídos no estudo para avaliar o papel do sexo em vários aspectos da DPO, incluindo a intensidade da dor, interferência funcional física e emocional, bem como a percepção do paciente sobre os cuidados recebidos no primeiro dia após a cirurgia. Os fatores de confusão avaliados foram a idade, presença de dor crônica pré-operatória, técnica anestésica empregada e tipo de procedimento cirúrgico.

A análise de regressão linear revelou que o sexo feminino foi um fator de risco estatisticamente significativo para a DPO. Além disso, foram identificadas diferenças significativas em relação ao sexo nos aspectos de duração da dor com intensidade severa, ansiedade e sensação de impotência devido a dor, assim como no consumo de analgésicos no pós-operatório. Um modelo linear geral univariado mostrou que a idade e a presença de dor pré-operatória foram fatores de confusão significativos para as diferenças entre os sexos. Uma análise mais descritiva de subgrupos revelou diferenças consistentes entre os sexos para diversas variáveis de desfecho de DPO, especialmente em pacientes com mais de 50 anos ou pacientes com dor crônica pré-operatória. No entanto, as diferenças sexuais desapareceram em pacientes mais jovens e em pacientes sem dor pré-operatória.
Segundo os autores do estudo, esses dados confirmam que existem diferenças entre os sexos na intensidade e frequência da dor, interferência da dor nos sentimentos emocionais e no consumo de analgésicos durante as primeiras 24 horas de pós-operatório. No entanto, as diferenças entre os sexos foram significativamente influenciadas pela idade e pela presença de dor pré-operatória. Na opinião dos pesquisadores, estes achados podem explicar, em parte, por que os estudos clínicos obtêm resultados diferentes quando analisam as diferenças entre os sexos na DPO.

 
Acesso em 31 Jul 2019. Disponível em: https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0178659

Existem diferenças entre os sexos na intensidade e frequência da dor, interferência da dor nos sentimentos emocionais e no consumo de analgésicos durante as primeiras 24 horas de pós-operatório. No entanto, as diferenças entre os sexos foram significativamente influenciadas pela idade e pela presença de dor pré-operatória.

REFERÊNCIAS

  1. Zheng H, Schnabel A, Yahiaoui-Doktor M, Meissner W, Van Aken H, Zahn P, et al.

    Age and preoperative pain are major confounders for sex differences in postoperative pain outcome: A prospective database analysis.

    PLoS One. 2017 Jun 6;12(6):e0178659.