A nefrolitíase é uma doença comum que causa impacto significativo na saúde e consequências importantes na economia. Vários fatores aumentam o risco de nefrolitíase e este escopo é analisado no artigo comentado.

A nefrolitíase é uma doença comum que causa impacto significativo na saúde e consequências importantes na economia. Há evidências de incremento de sua prevalência nos últimos 15 anos. Vários fatores aumentam o risco de nefrolitíase, como hidratação,herança familiar, hábitos dietéticos, estilo de vida e aspectos ambientais. Redução da densidade mineral óssea (DMO) e hipercalciúria foram correlacionados à nefrolitíase em dois estudos.

Os mecanismos mais comuns de formação de cálculos urinários são supersaturação e falta de inibidores de cristalização na urina. A maioria dos cálculos é composta de cálcio – metade dos quais com uma combinação de oxalato e fosfato de cálcio.

A osteoporose afeta homens e mulheres de todas as etnias e tem prevalência crescente com a idade. As mulheres são mais afetadas do que os homens, com aceleração de perda
óssea após a menopausa em razão dos níveis estrogênicos.

Tanto nefrolitíase como osteoporose são questões de saúde pública em pacientes mais velhos, mas poucos estudos focaram a relação entre ambos. Este estudo foi desenvolvido
para determinar se a presença de nefrolitíase poderia influenciar o desenvolvimento de osteoporose e se comorbidades (hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, doença
hepática ou cardiovascular) também modificariam esse risco.

Foram usados dados compilados do Longitudinal Health Insurance Database (LHID) 2000 do Seguro Nacional de Saúde (NHI) de Taiwan. Essa base de dados é uma amostra aleatória de 1 milhão de pacientes. Foram usados registros de 1996 a 2013 de pacientes com idade igual ou superior a 50 anos. A data de início para avaliação foi definida como o dia em que ocorreu o primeiro diagnóstico de nefrolitíase – registrado com o código da ClassificaçãoInternacional de Doenças (CID-9) por urologista ou nefrologista. O diagnóstico de osteoporose foi identificado com o código correspondente da CID-9 confirmado por densitometria óssea. As comorbidades também foram levantadas pelos respectivos códigos e confirmadas pelo uso de medicações. Os critérios de exclusão foram diagnóstico de osteoporose prévio ou até 90 dias após o de nefrolitíase, menos de 90 dias de seguimento ou dados demográficos incompletos.

Na análise estatística, foram usados controles pareados por idade, sexo, renda e presença de comorbidades, na proporção 1:3 (nefrolitíase: controles). O seguimento encerrou-se com o diagnóstico de osteoporose, morte ou último registro no NHI. Foram incluídos 91.254 pacientes (22.575 com nefrolitíase e 68.679 controles), com idade média de 59,8 ± 8,4 anos. Não houve diferença significativa entre os grupos no tocante a dados demográficos e frequência das comorbidades.

Observou-se diferença estatisticamente significativa na incidência de osteoporose entre os dois grupos, com razão de risco ajustado de 1,34 (IC95%: 1,19-1,79; p < 0,001). A taxa de incidência de osteoporose durante o período de seguimento foi de 8,87 por 1.000 pessoas- ano no grupo de nefrolitíase versus 6,37 por 1.000 no grupo controle. A presença de hipertensão, diabetes, dislipidemia, doença hepática ou cardiovascular não alterou o impacto da nefrolitíase na ocorrência posterior de osteoporose.

Este estudo retrospectivo de coorte, baseado em uma das maiores bases de dados longitudinais do mundo, mostrou que a nefrolitíase aumenta a taxa subsequente de osteoporose. Os autores sugerem, ao final, que pacientes com história de nefrolitíase podem necessitar de acompanhamento regular da DMO.

A osteoporose afeta homens e mulheres de todas as etnias e tem prevalência crescente com a idade. As mulheres são mais afetadas do que os homens, com aceleração de perda óssea após a menopausa em razão dos níveis estrogênicos.

Dra. Patrícia de Rossi

Acesso em 09 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/31290006

REFERÊNCIAS

  1. Lu YM, Li CC, Juan YS, Lee YC, Chien TM.

    Urolithiasis increases the risk of subsequent onset of osteoporosis.

    J Bone Miner Metab. 2019.