A infertilidade sem causa aparente (ISCA) é definida como a incapacidade de conceber após 12 meses de relações sexuais desprotegidas sem nenhuma causa diagnosticada, e afeta entre 10% e 30% dos casais inférteis. A busca por uma melhor compreensão dos mecanismos subjacentes à ISCA poderia levar a estratégias de tratamento menos invasivas e menos onerosas. As anormalidades na função tireoidiana e a hiperprolactinemia são causas bem conhecidas de infertilidade. Entretanto, não está estabelecido se níveis normais de TSH e de prolactina estão associados à ISCA.

Com base nesses fatores, pesquisadores compararam os níveis de TSH e prolactina em mulheres com ISCA e em mulheres com uma avaliação de fertilidade normal, exceto para um parceiro masculino azoospérmico ou severamente oligospérmico.

O estudo, que foi publicado no periódico científico The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, incluiu 239 mulheres que foram avaliadas em um grande sistema de saúde acadêmico e que apresentavam: níveis de TSH dentro da faixa normal e ≤5 mUI/L; níveis normais de prolactina (menores de 20 ng/mL); e ISCA (N=187) ou nenhuma outra causa de infertilidade (N=52) que não fosse um parceiro azoospérmico ou severamente oligospérmico.

As mulheres com ISCA apresentaram níveis de TSH significativamente maiores que os controles, 1,95 mUI/L contra 1,66 mUI/L. Esse achado permaneceu significativo após realizar os ajustes para idade, índice de massa corporal e status de tabagismo. Quase o dobro de mulheres com ISCA (26,9%) apresentaram um nível de TSH igual ou superior a 2,5 mUI/L em comparação com os controles (13,5%). Os níveis de prolactina não diferiram entre os dois grupos.
Os autores do estudo concluíram que, as mulheres com ISCA apresentam maiores níveis de TSH em comparação com uma população controle, sugerindo que anormalidades leves na função tireoidiana podem contribuir para alguns casos de ISCA. Os pesquisadores também levantam a hipótese de que o tratamento com a reposição de hormônio tireoidiano para mulheres com níveis de TSH ≥2,5 mUI/L pode ser um primeiro passo econômico no tratamento da ISCA.

 
Acesso em 31 Jul 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5800836/

As mulheres com ISCA apresentam maiores níveis de TSH em comparação com uma população controle, sugerindo que anormalidades leves na função tireoidiana podem contribuir para alguns casos de ISCA.

REFERÊNCIAS

  1. Orouji Jokar T, Fourman LT, Lee H, Mentzinger K, Fazeli PK.

    Higher TSH Levels Within the Normal Range Are Associated With Unexplained Infertility.

    J Clin Endocrinol Metab. 2018 Feb 1;103(2):632-639.