Pesquisadores elaboraram uma estrutura para o manejo da depressão em ambientes de ginecologia obstétrica, utilizando modelos integrados de atenção à saúde mental. O artigo foi publicado no periódico científico Obstetrics & Gynecology.

As mulheres estão em maior risco de depressão do que os homens, e esse risco é especialmente pronunciado em períodos reprodutivos específicos de vulnerabilidade: adolescência, gravidez, pós-parto e a transição para a menopausa. Os ginecologistas-obstetras são os especialistas que as mulheres mais consultam durante esses períodos vulneráveis, geralmente apresentando diversas condições ou queixas que não a depressão ou ansiedade. Os sintomas apresentados são frequentemente comorbidades reconhecidas associadas com a depressão ou são fatores de risco para depressão. Assim, ao rastrear depressão e outros transtornos de humor nesses períodos críticos, os obstetras e ginecologistas podem desempenhar um papel importante na detecção precoce, prevenção e tratamento dos transtornos de humor e suas comorbidades.

O aumento do risco de depressão nas mulheres se inicia na puberdade. As adolescentes apresentam um risco 2 a 3 vezes maior de transtorno depressivo maior (TDM) do que os homens, e um risco quase 4 vezes maior de transtorno depressivo maior grave. Essas adolescentes correm maior risco de fracasso educacional, desemprego, maternidade precoce, transtornos de ansiedade, dependência de nicotina, abuso de álcool e tendências suicidas. Os autores do artigo recomendam que todas as pacientes adolescentes devam ser avaliadas em relação à depressão e ansiedade.

As mulheres em idade reprodutiva que estão em alto risco de depressão constituem a faixa etária mais comum atendida por obstetras-ginecologistas. As taxas de depressão perinatal variam de 7 a 20%, e representam implicações não apenas para a mãe, mas também para a criança e a família. Existem vários instrumentos de rastreamento da depressão para essas mulheres, como a Escala de Depressão Pós-Parto de Edimburgo (EPDS) e o PHQ-9. Os autores do artigo recomendam que os obstetras devem realizar a triagem pelo menos uma vez durante o período perinatal.

O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPP) tem taxas de prevalência de 3-8%. O diagnóstico é feito com base nos sintomas, e as mulheres devem apresentar pelo menos 4 dos 11 sintomas físicos (como inchaço, ganho de peso, dor nas articulações, etc.), e 1 dos 4 sintomas comportamentais (alterações de humor, irritabilidade, depressão e ansiedade) durante a fase lútea. Existem evidências preliminares de que as mulheres com TDPP podem apresentar risco elevado de depressão pós-parto e depressão na transição para a menopausa.

Com relação à menopausa, os transtornos do humor são mais comuns quando ocorre a transição tardia em comparação com os estados pré e pós-menopausa tardios. A transição tardia ocorre em média 2 anos antes do período menstrual final, que é definido por um episódio de 60 ou mais dias de amenorréia. Durante a perimenopausa são frequentes sintomas depressivos atípicos, como aumento do distúrbio do sono ou aumento do ganho de peso e apetite. Os autores do artigo recomendam uma triagem universal para todas as mulheres que se apresentam na meia-idade que solicitam atendimento para a menopausa.
Finalmente, os autores do estudo destacam o papel fundamental que os obstetras-ginecologistas devem desempenhar, influenciando positivamente as mulheres e suas famílias e promovendo importantes contribuições para a saúde pública.

 
Acesso em 19 Jul 2019
. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5177526/

Os autores do estudo destacam o papel fundamental que os obstetras-ginecologistas devem desempenhar, influenciando positivamente as mulheres e suas famílias e promovendo importantes contribuições para a saúde pública.

REFERÊNCIAS

  1. Bhat A, Reed SD, Unützer J.

    The Obstetrician-Gynecologist's Role in Detecting, Preventing, and Treating Depression.

    Obstet Gynecol. 2017 Jan;129(1):157-163.