Pesquisadores realizaram uma revisão de estudos para avaliar a eficácia e segurança do uso de probióticos para a prevenção da diarreia associada ao C. difficile (DACd) em adultos e crianças.

Os antibióticos estão entre os medicamentos mais prescritos pelos médicos, mas podem perturbar a microbiota gastrointestinal e levar à diarreia. Também é reconhecido que existe a possibilidade de levar a uma resistência reduzida a patógenos como o Clostridium difficile (C. difficile).

Os probióticos são preparações microbianas vivas que, quando administradas em quantidades adequadas, podem conferir alguns benefícios à saúde do hospedeiro e ser uma estratégia potencial para a prevenção de C. difficile. Os consensos e diretrizes de prática clínica não recomendam a profilaxia com probióticos, embora estudos tenham demonstrado sua eficácia como terapia profilática.

Nesse contexto, pesquisadores realizaram uma revisão de estudos para avaliar a eficácia e segurança do uso de probióticos para a prevenção da diarreia associada ao C. difficile (DACd) em adultos e crianças.

Para a revisão, que foi publicado no periódico científico The Cochrane Database of Systematic Reviews, os investigadores realizaram uma pesquisa nas bases de dados PubMed, EMBASE, CENTRAL, Cochrane IBD Group Specialized Register e na literatura em cinzenta por estudos clínicos randomizados que investigaram o uso de probióticos para prevenção da DACd ou da infecção por C. difficile. Os investigadores encontraram 39 estudos, com um total de 9.955 participantes, que atenderam aos requisitos de elegibilidade para a revisão.

Os estudos que investigaram a DACd (31 estudo com 8.672 participantes) sugeriram que os probióticos reduzem o risco de DACd em 60%. A incidência de DACd foi de 1,5% nos grupos de indivíduos que utilizaram probióticos em comparação com 4,0% nos grupos de controle que utilizaram placebo ou nenhum tratamento. Os resultados se mostraram semelhantes considerando os subgrupos de estudos em adultos e crianças, pacientes internados e ambulatoriais, diferentes espécies de probióticos e diferentes de probióticos. Em uma análise dos estudos com dados sobre o risco basal de DACd de 0% a 2% e 3% a 5% não foram encontradas diferenças no risco de DACd, mas os ensaios com participantes com risco basal superior a 5% demonstraram uma grande redução de 70% no risco com o uso de probióticos.

Com relação à detecção de C. difficile nas fezes, os resultados de 15 estudos com 1.214 participantes não mostraram redução nas taxas de infecção. A infecção por C. difficile foi de 15,5% no grupo de probióticos em comparação com 17,0% no grupo de controle com placebo ou sem tratamento.

Os eventos adversos foram avaliados em 32 estudos com um total de 8.305 participantes e as análises indicaram que os probióticos reduzem o risco de eventos adversos em 17%. Nos grupos de tratamento e controle, os eventos adversos mais comuns incluíram cólicas abdominais, náusea, febre, fezes pastosas, flatulência e distúrbios do paladar.

Existem evidências que sugerem que os probióticos são eficazes na prevenção da diarreia associada ao C. difficile.

Os autores da revisão concluíram que existem evidências que sugerem que os probióticos são eficazes na prevenção da DACd. As análises de subgrupos para explorar a heterogeneidade indicaram que os probióticos são eficazes entre os estudos com risco basal de DACd maior que 5%. Embora tenham sido relatados eventos adversos nos estudos incluídos, houveram mais casos entre os pacientes dos grupos controle. Segundo os autores, o uso a curto prazo de probióticos pareceu ser seguro e eficaz quando utilizado em conjunto com antibióticos em pacientes que não são imunocomprometidos ou gravemente debilitados. Na opinião dos investigadores, os pacientes hospitalizados, particularmente aqueles com alto risco de DACd, devem ser informados dos possíveis benefícios e malefícios dos probióticos.

Acesso em 30 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6486212/pdf/CD006095.pdf

REFERÊNCIAS

  1. Goldenberg JZ, Yap C, Lytvyn L, Lo CK, Beardsley J, Mertz D, et al.

    Probiotics for the prevention of Clostridium difficile-associated diarrhea in adults and children.

    Cochrane Database Syst Rev. 2017 Dec 19;12:CD006095.