Estudos epidemiológicos revelaram que a alergia de contato afetou cerca de 27% de uma amostra representativa da população de 5 países europeus. As reações são positivas para pelo menos um dos alérgenos de contato incluídos em uma chamada "série de linha de base" (anteriormente chamada de "série/bateria padrão"). No uso clínico, uma série de linha de base é aplicada a todos os pacientes que estão sendo testados, uma vez que abrange aqueles alérgenos de contato que normalmente são considerados mais importantes. Geralmente, a série de linha de base, um conjunto de 30 alérgenos de contato, é complementada com séries de testes especiais de alérgenos de contato comercial adaptados às exposições individuais (por exemplo, cosméticos para os cabelos, borracha, resinas, metais) a fim de aumentar a probabilidade de um resultado clinicamente relevante positivo para além do rastreio oferecido pela série de linha de base.

Contudo, mesmo este amplo arranjo pode não ser totalmente suficiente para alcançar um diagnóstico em todos os pacientes, haja vista a disponibilidade limitada de testes alérgenos comerciais para uso na prática clínica, em razão, por exemplo, de restrições no licenciamento para comercialização. Outro fator que dificulta a amplitude diagnóstica é a própria expansão constante de diversas outras substâncias que são relatadas corriqueiramente como alérgenos de contato em estudos ou séries de casos.

Assim, os autores deste estudo, publicado no International Journal of Envinronmental Research and Public Health, tiveram como objetivo elaborar uma revisão de literatura, abordando por meio de uma visão geral e estruturada, as novas e mais relevantes evidências que se acumularam nos últimos 2 anos.

Para a realização desta revisão foram feitas buscas nas bases de dados Medline e Web of Science em 28 de janeiro de 2018, usando os termos “sensibilização de contato” ou “alergia de contato” (do inglês, contact sensitizatiomn e contact allergy). Não foram incluídos resultados de estudos básicos, imunológicos, químicos ou de tratamento de dermatite de contato.  Das 446 publicações não duplicadas identificadas pela pesquisa, 147 foram excluídas com base na análise do título, do resumo e das palavras-chave. Dos 299 estudos restantes e analisados em texto completo, 291 foram considerados apropriados para inclusão e os principais achados foram resumidos em seções de tópicos.

Nos primeiros tópicos, os autores apresentam estudos populacionais que destacam como alérgenos de contato mais comuns, o níquel, mix de fragrâncias, resina p-terc-butilfenol formaldeído, bem como exposições específicas possivelmente levando a sensibilização, tais como: uso de piercing, tintura de cabelo, maquiagem e produtos de higiene pessoal.

Quando se trata de pacientes pediátricos (até 16 anos de idade) os estudos selecionados pelos autores mostraram que a alergia ao níquel foi o achado mais frequente, seguido pelo mix de fragrâncias, p-fenilenodiamina e metilcloroisotiazolinona/metilisotiazolinona. Nesse sentido, os decréscimos nas prevalências observados foram consequentemente atribuídos às alterações nas legislações europeias e no uso de produtos em crianças

Nos tópicos seguintes os autores destacaram diversas outras fontes de exposição e substâncias químicas, com tipos e estruturas amplamente diferentes e que continuam a induzir sensibilização no homem, podendo resultar em dermatite de contato alérgica, tais como: metais (cromo, cobalto, alumino, titânio, vanádio) fragrâncias e óleos em geral (especialmente hidroxiisohexil 3-ciclohexeno carboxaldeído, Myroxylon pereirae, colofônio) e dezenas de outros produtos químicos utilizados na indústria do cosmético, além de plantas e fármacos.
Os pesquisadores concluíram que, novos alérgenos de contato são identificados a cada ano, expandindo constantemente a perspectiva de causas conhecidas de dermatite de contato. Além disso, novos usos de alérgenos de contato conhecidos podem levar a novas exposições, e, portanto, riscos de sensibilização. Os autores destacam, ainda, que a precisão do diagnóstico melhora substancialmente com o reconhecimento oportuno do alérgeno através de testes cutâneos, e, se necessário, combinados com química analítica e relatórios.

 
Acesso em 28 Ago 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6025382/

Novos alérgenos de contato são identificados a cada ano, expandindo constantemente a perspectiva de causas conhecidas de dermatite de contato.

REFERÊNCIAS

  1. Uter W, Werfel T, White IR, Johansen JD.

    Contact Allergy: A Review of Current Problems from a Clinical Perspective.

    Int J Environ Res Public Health. 2018 May 29;15(6).