O objetivo dos cuidados pré-natais (assistência pré-natal) é ter uma gravidez saudável para a mãe e o bebê, incluindo prevenção e tratamento de doenças, preparação para o parto e a maternidade. Há várias medidas que podem ser tomadas para levar a uma boa experiência pré-natal e este documento da Organização Mundial da Saúde traz uma revisão das evidências atuais para serem aplicadas na prática clínica.

As recomendações são tanto para mulheres como adolescentes grávidas e estão divididas em cinco seções: intervenções nutricionais, avaliações materna e fetal, medidas preventivas, intervenções para os sintomas mais comuns e intervenções nos sistemas de saúde para melhorar a utilização e a qualidade da assistência pré-natal.

A primeira recomendação é aconselhar as gestantes a se alimentarem de forma saudável (contendo quantidade adequada de energia, proteínas, vitaminas e minerais, incluindo vegetais verdes e laranja, carnes, peixes, feijões, oleaginosas [nozes], grãos integrais e frutas). A gestante deve manter-se fisicamente ativa durante a gravidez, para ficar saudável e prevenir ganho excessivo de peso na gravidez. O exercício físico regular também é recomendado para prevenir dor nas costas e dor pélvica.

A suplementação de ferro e ácido fólico é recomendada durante toda a gravidez para prevenir anemia materna, sepse puerperal, baixo peso ao nascimento e parto prematuro.

A dose de ferro elementar diária deve ser entre 30 e 60 mg. Caso a gestante já esteja com anemia, a dose deve ser aumentada para 120 mg/dia até alcançar o valor normal de hemoglobina e, então, retornar para a suplementação habitual. Ácido fólico deve ser iniciado o mais cedo possível – idealmente, antes da concepção – para prevenir defeitos do tubo neural. A dose diária recomendada é 400 µg (0,4 mg). Em países com prevalência de anemia inferior a 20% ou se há confirmação de que a hemoglobina se encontra normal, pode-se fazer suplementação de forma intermitente (120 mg de ferro elementar + 4,8 mg de ácido fólico, uma vez por semana) se há efeitos colaterais com o uso diário.

Em populações com baixa ingestão de cálcio, recomenda-se suplementação com 1,5 a 2 g de cálcio oral para reduzir o risco de pré-eclâmpsia. A dose diária pode ser dividida em três tomadas com as refeições para facilitar a aceitação. Uma observação importante é a interação entre os suplementos de cálcio e ferro com prejuízo da sua absorção; assim, devem ser ingeridos preferencialmente com horas de diferença.
A ingestão de cafeína (em qualquer produto, como café, chás-preto/verde, chocolate, bebidas energéticas com cafeína, refrigerantes tipo cola) em doses diárias superiores a 300 mg provavelmente se associa a mais risco de baixo peso ao nascimento e à perda gestacional, portanto recomenda-se redução da sua ingestão durante a gravidez.

Dra. Patrícia de Rossi

Mestre em Ginecologia e Obstetrícia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) Preceptora da Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia no Conjunto. Hospitalar do Mandaqui (São Paulo/SP) CRM/SP 79.066/SP | RQE 51.165

Código Zinc: SABR.SA.19.08.1509

REFERÊNCIAS

  1. WHO recommendations on antenatal care for a positive pregnancy experience.

    Genebra: World Health Organization, 2016.