Pesquisadores realizaram uma revisão, publicada no periódico científico Acta Dermato-Venereologica, para identificar o ônus da urticária crônica e fornecer recomendações baseadas em evidências para obter um diagnóstico preciso, e traçar estratégias de gerenciamento da doença.

Revisão de recomendações internacionais para o diagnóstico e tratamento da urticária crônica A urticária é considerada crônica quando os sintomas permanecem presentes por 6 semanas ou mais. A compreensão das manifestações clínicas associadas à urticária crônica (UC) é fundamental para melhorar o diagnóstico e orientar melhor o tratamento clínico. Desta forma, pesquisadores realizaram uma revisão, publicada no periódico científico Acta Dermato-Venereologica, para identificar o ônus da UC e fornecer recomendações baseadas em evidências para obter um diagnóstico preciso, e traçar estratégias de gerenciamento da doença. A UC pode ser caracterizada pelo aparecimento espontâneo de sinais e sintomas ou urticária induzível/física, na qual surgem sinais e sintomas após a exposição a fatores desencadeadores específicos, como pressão ou contato térmico. Em alguns casos é possível que duas ou mais formas de UC coexistam no mesmo paciente.

Com base em pesquisas realizadas, a prevalência da UC ao longo da vida foi estimada em 1,8%. A urticária crônica espontânea (UCS) é responsável pela maioria dos casos de UC, com estimativas relatadas entre 66% a 93%. Muitos pacientes permanecem sintomáticos por mais de um ano, com até 14% dos pacientes continuando a apresentar surtos recorrentes de sintomas por mais de 5 anos.

O impacto da UC na qualidade de vida foi relatado como pior ou semelhante ao observado com outras doenças de pele, incluindo psoríase, acne ou dermatite atópica.

O achado característico da UC na pele é a presença de urticária pruriginosa, edemaciada, rosada ou avermelhada, de tamanho e forma variáveis, e sem alterações epidérmicas, como escamação ou crosta. As lesões individuais são evanescentes e geralmente desaparecem dentro de 24 horas. O angioedema geralmente envolve inchaço, com envolvimento frequente das membranas mucosas proximais (edema ocular ou labial) ou edema periférico grave. Os inchaços graves podem ser dolorosos e a maioria dos casos de angioedema pode demorar até 72 horas para serem resolvidos.

O processo de diagnóstico deve ser iniciado com uma história completa do paciente e exame físico. Os testes de provocação podem ser usados para confirmar a relevância e o limiar dos gatilhos em pacientes formas induzíveis de UC. As biópsias de pele não são necessárias na maioria dos casos e devem ser consideradas apenas quando houver suspeita de outros problemas dermatológicos.

Muitos pacientes podem responder adequadamente a doses aprovadas de anti-histamínicos H1 de segunda geração, que devem ser utilizadas como terapia de primeira linha.

Em relação ao tratamento da UC, os autores da revisão relatam que muitos pacientes podem responder adequadamente a doses aprovadas de anti-histamínicos H1 de segunda geração, que devem ser utilizadas como terapia de primeira linha. Para aqueles pacientes que não obtêm melhora clínica significativa, se aconselha o aumento das doses desses anti-histamínicos não sedativos para até 4 vezes a dose aprovada. Durante a escalada da dose, a adição de um anti-histamínico sedativo à noite também pode ser eficaz, mas a combinação de um anti-histamínico não sedativo e um anti-histamínico sedativo não é recomendada por todos os especialistas e diretrizes. Caso a modulação da dose dos anti-histamínicos de primeira e segunda geração não melhorarem significativamente a UC e/ou se os efeitos colaterais necessários para atingir esse nível de melhora clínica forem inaceitáveis, deve-se considerar o uso de medicamentos alternativos. Entretanto, as vantagens e desvantagens de cada uma das opções devem ser levadas em consideração ao selecionar a terapia apropriada.

Acesso em 03 Set 2019. Disponível em: https://www.medicaljournals.se/acta/download/10.2340/00015555-2496/

REFERÊNCIAS