CONECTA — Dentre os vários prêmios de reconhecimento, a senhora foi eleita uma das dez cientistas mais importantes em 2016 pela revista Nature e, em 2017, foi considerada uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela Revista Time. Considerando que o outro representante brasileiro é o jogador de futebol Neymar, qual é a importância de termos uma pesquisadora nessa lista ?

 

TURCHI — Trata-se do reconhecimento do trabalho de um grupo de pesquisadores, de diferentes instituições, intitulado MERG – Microcephaly Epidemic Research Group. Esses pesquisadores estavam no epicentro da epidemia de microcefalia, trabalhando em colaboração com a Secretaria de Saúde de Pernambuco, Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde. CONECTA — Dentre os vários prêmios de reconhecimento, a senhora foi eleita uma das dez cientistas mais importantes em 2016 pela revista Nature e, em 2017, foi considerada uma das cem pessoas mais influentes do mundo pela Revista Time. Considerando que o outro representante brasileiro é o jogador de futebol Neymar, qual é a importância de termos uma pesquisadora nessa lista ?

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A evolução do Zika no Brasil de 2010 a 2019

É dessa forma que eu vejo essas premiações e homenagens - a indicação, de um nome que representa um grupo comprometido com pesquisa, assistência e vigilância epidemiológica. Do ponto de vista de conhecimento científico, foi um avanço uma representante brasileira com destaque no cenário internacional; mostra que a ciência brasileira está à altura de grandes desafios para dar respostas oportunas e consistentes em situações inusitadas.

Do ponto de vista deconhecimento científico, foi umavanço uma representantebrasileira com destaque nocenário internacional

CONECTA — A notoriedade de sua pesquisa está relacionada ao êxito de se identificar e compreender a relação entre o Zika vírus e a microcefalia. Além da microcefalia, quais outras complicações advindas da infecção pelo Zika vírus a comunidade científica conseguiu identificar?

 

TURCHI — De fato, as pesquisas do MERG foram pioneiras e contaram com o financiamento do Ministério da Saúde e da Organização Pan-Americana da Saúde. As manifestações neurológicas da infecção causadas pelo vírus da Zika precisam ainda ser melhor conhecidas. Atualmente, sabe-se que a microcefalia é a manifestação mais evidente da síndrome da Zika congênita (SZC), mas não a mais frequente. É a ponta do iceberg, o que é visível. Em crianças expostas e sem microcefalia, observam-se, ainda, retardo do desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento visual grave, comprometimento auditivo, dificuldade de deglutição, epilepsia (80%), entre outras alterações.
A infecção pelo vírus Zika em adultos pode evoluir para quadros de encefalite, meningoencefalite, mielite, paralisias flácidas, agudas, ADEM (encefalomielite disseminada aguda) e, mais frequentemente, para a Síndrome de Guillain Barré ( neuropatia aguda, com paralisia e hiporeflexia ou arreflexia, que tem mecanismos imunológicos bem definidos já relacionadas a outras infecções (Dengue, Herpes Vírus, HIV, CMV, HTLV1) e que preocupa pelo seu prognóstico

 

CONECTA — Qual é a grande preocupação epidemiológica no Brasil de hoje?

 

TURCHI — Restringindo a resposta à recente epidemia da Zika e suas consequências neurológicas. Há muitas lacunas no conhecimento que precisam ser respondidas com uma certa urgência para implementar o enfrentamento da infecção pelo vírus da Zika na população. Por exemplo, conhecer a estrutura do vírus para desenvolver testes diagnósticos efetivos e futuras vacinas capazes de conferir imunidade.

REFERÊNCIAS

  1. Simpson EL, et al.

    Atopic dermatitis patients treated with dupilumab and not achieving Investigator’s Global Assessment 0 or 1 demonstrated clinically meaningful and significant improvements in signs, symptoms, and quality of life: a post-hoc analysis of the LIBERTY AD SOLO studies.

    Abstract 6823. Apresentado no American Academy of Dermatology (AAD) annual scientific meeting 2018. San Diego, EUA 16-20 fev 2018.

  2. Beck LA, et al.

    Dupilumab treatment in adults with moderate-to-severe atopic dermatitis.

    N Engl J Med. 2014;371:130-9.