O ácido docosahexaenóico (DHA) é um ácido graxo poliinsaturado de cadeia longa, necessário para o crescimento cerebral normal, desenvolvimento de tecidos visuais e neurais e, posteriormente, no desenvolvimento motor e cognitivo. Portanto, níveis adequados de DHA são importantes para as mulheres grávidas e lactantes, assim como para seus bebês. A transferência de DHA através da barreira hematoencefálica depende das quantidades relativas de ácidos graxos no sangue do feto, enquanto que o transporte de DHA para o feto durante este período é altamente dependente da ingestão dietética materna.

Durante a gravidez os níveis de DHA mostram um declínio progressivo, portanto, a menos que sejam compensados com uma maior ingestão, os estoques ficarão esgotados. Após o nascimento também há um declínio no DHA materno, e os níveis pós-parto são determinados pelo status de DHA durante a gravidez.

A maior parte da literatura existente se baseia em estudos de intervenção que exploraram a associação entre a suplementação de ácidos graxos e o desenvolvimento cognitivo. No entanto, também é importante investigar as associações que ocorrem naturalmente entre a composição de ácidos graxos nas hemácias em gestantes e lactentes jovens, assim como com suas associações com o status de desenvolvimento infantil.

Frente a isso, pesquisadores investigaram a relação entre o status materno de DHA nas hemácias durante a gravidez e o status infantil de DHA nas hemácias após o nascimento, assim como suas associações com as habilidades de resolução de problemas em crianças aos 6 e 12 meses pós-parto.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Nutrients, 126 mulheres e seus filhos tiveram seus dados coletados na 28ª semana gestacional e aos três, seis e doze meses pós-parto.

Os resultados mostraram que o estado de DHA materno na gravidez esteve positivamente associado às habilidades de resolução de problemas dos bebês aos 12 meses. Essa associação permaneceu significativa mesmo após os ajustes para o nível de escolaridade materna, um substituto para o status socioeconômico.
Os autores do estudo concluíram que, o status materno de DHA na gravidez está associado à resolução de problemas aos 12 meses. Uma vez que escores mais elevados de resolução de problemas na infância estão relacionados a maiores escores de QI, os pesquisadores destacam a importância do status adequado de DHA materno antes do desenvolvimento cerebral no último trimestre da gravidez. Para garantir o estado dos bebês, bem como o próprio DHA, as mulheres grávidas e lactantes devem ter uma ingestão alimentar satisfatória ou de outras fontes de DHA.

 
Acesso em 20 Ago 2019.
Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5986409/

O status materno de DHA na gravidez está associado à resolução de problemas aos 12 meses.

REFERÊNCIAS

  1. Braarud HC, Markhus MW, Skotheim S, Stormark KM, Frøyland L, Graff IE, et al.

    Maternal DHA Status during Pregnancy Has a Positive Impact on Infant Problem Solving: A Norwegian Prospective Observation Study.

    Nutrients. 2018 Apr 24;10(5).