Pesquisadores analisaram o uso da teoria do conforto de Kolcaba no processo clínico de enfermagem nos pacientes, observando seus efeitos nos sintomas, motilidade gástrica e estado mental.

A dispepsia funcional (DF) é um distúrbio gastrointestinal muito comum na prática clínica, com uma prevalência global de 5% a 11%, que afeta seriamente a qualidade de vida dos pacientes. Os critérios de Roma III identificam a DF como a existência de um ou mais sintomas de dispepsia originários da região gastroduodenal, na ausência de síndromes clínicas de qualquer doença orgânica, sistêmica ou metabólica que possam explicar esses sintomas. A patogênese da DF está relacionada a vários mecanismos fisiopatológicos, como disfunção gastroduodenal e hipersensibilidade visceral, e fatores sócio-psicológicos, como ansiedade, depressão, estresse, etc, o que dificulta seu tratamento. Cerca de metade dos pacientes diagnosticados com DF ainda apresentam sintomas após cinco anos de acompanhamento, afetando sua qualidade de vida a longo prazo.

Estudos anteriores apontaram que serviços de enfermagem de alta qualidade poderiam controlar a DF e ajustar os resultados terapêuticos. A teoria do conforto de Kolcaba enfatiza os pacientes e o desenvolvimento do pensamento crítico dos enfermeiros para encontrar os melhores cuidados para atingir o estado mais agradável em termos fisiológicos, mentais, psicológicos, sociais e ambientais, ou reduzir as sensações desagradáveis nos pacientes.

Como essa teoria é pouco conhecida para o gerenciamento da DF, pesquisadores analisaram seu uso no processo clínico de enfermagem nesses pacientes, observando seus efeitos nos sintomas, motilidade gástrica e estado mental.

Para o estudo, que foi publicado no periódico científico Medicine, os investigadores randomizaram cem pacientes consecutivos com DF para receberem cuidados de enfermagem rotineiros (CR) ou cuidados baseados na teoria do conforto (CTC) por 8 semanas. O desfecho primário foi a pontuação dos sintomas da DF, e o desfechos secundários incluíram taxas de esvaziamento gástrico, parâmetros de motilidade gástrica e intensidade de depressão e ansiedade. Esses desfechos foram avaliados na linha de base e após as 8 semanas da intervenção. Os dois grupos
não apresentaram diferenças significativas em relação ao sexo, idade, índice de massa corporal, tipos de DF e curso da doença.

Os resultados encontrados apontaram que, após as 8 semanas, o grupo de CTC apresentou uma pontuação menor na avaliação dos sintomas e uma taxa de esvaziamento gástrico maior do que no grupo de CR. Em relação à motilidade gástrica, o eletrogastrograma mostrou que a frequência e potência das contrações estomacais em jejum e pós-prandial foram maiores no grupo de CTC, e os casos de ritmo anormal também foram significativamente menores no grupo de CTC. Os resultados da escala de autoavaliação de depressão e ansiedade foram significativamente menores no grupo CTC.

Os cuidados de enfermagem baseados na teoria do conforto reduziram os sintomas de dispepsia funcional, aumentaram as taxas de esvaziamento gástrico, melhoraram a motilidade gástrica e aliviaram os sintomas de depressão e ansiedade em pacientes com dispepsia funcional, promovendo, assim, a sua reabilitação.

Os autores do estudo concluíram que os cuidados de enfermagem baseados na teoria do conforto reduziram os sintomas de DF, aumentaram as taxas de esvaziamento gástrico, melhoraram a motilidade gástrica e aliviaram os sintomas de depressão e ansiedade em pacientes com DF, promovendo, assim, a sua reabilitação.

Acesso em 06 Set 2019. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6636950/pdf/medi-98-e16110.pdf

REFERÊNCIAS

  1. Xiong Y, Xing H, Hu L, Xie J, Liu Y, Hu D.

    Effects of comfort care on symptoms, gastric motility, and mental state of patients with functional dyspepsia.

    Medicine (Baltimore). 2019 Jun;98(25):e16110.