Trata-se de manuscrito aceito para publicação no Seminário de Artrite e Reumatismo em 2019 com uma metanálise em rede que aumenta o poder estatístico, tendo examinado os efeitos relativos de diferentes intervenções nunca ou pouco comparadas diretamente, permitindo que os tratamentos sejam classificados pela eficácia clínica. O objetivo dessa metanálise bayesiana foi chegar a estatísticas resumidas após análise unificada sobre a eficácia clínica de estratégias de tratamento não cirúrgico para adultos com dor devido a prolapso de disco lombar.

A dor lombar é uma das queixas mais comuns dos pacientes, com incidência geral na população de 9,4%, sendo o disco intervertebral a principal fonte geradora do quadro álgico. Aproximadamente 85% dos pacientes com ciática são diagnosticados com prolapso do disco lombar e a prevalência de hérnia discal aumenta com a idade. A história natural do prolapso discal lombar é favorável, com melhora da dor em 87% dos pacientes dentro de três meses sem tratamento específico.

Foram incluídos 79 artigos, 58 ensaios clínicos randomizados na rede de efeito global e 74 ensaios clínicos randomizados na rede de intensidade de dor.

É importante ressaltar que 38 dos 80 estudos citados nos 79 artigos foram identificados como tendo alto risco de viés, com apenas 21% dos estudos tendo baixo risco.
Em relação ao efeito global, a metanálise apresentou 58 estudos evidenciando que tratamentos com melhora estatisticamente significativa comparados ao grupo controle inativo no seguimento de curto prazo incluíram injeções de esteroides (epidural transforaminal, epidural caudal ou interlaminar), quimionucleólise e não opioides. No seguimento de longo prazo, a injeção de esteroide transforaminal e quimionucleólise continuou a demonstrar melhora significativa quando comparada a placebo.

Em relação ao tratamento quanto à intensidade da dor, a metanálise apresentou 74 estudos, acrescentando-se, no seguimento de curto prazo, além dos tratamentos efetivos de efeito global, moduladores de dor neuropática também com significância estatística. Porém, no seguimento de longo prazo, nenhum tratamento demonstrou ser significativamente efetivo comparado a placebo.

Revisões anteriores de tratamentos não cirúrgicos verificaram que a terapia com glicocorticoides e os não opioides são provavelmente ineficazes e, embora os opioides possam apresentar ligeiros benefícios a curto prazo, há certa preocupação com efeitos colaterais a longo prazo.

Apesar de a infiltração transforaminal ter se destacado como melhor opção nesse estudo, outras revisões sistemáticas conflitam quanto à efetividade ou à superioridade das opções transforaminal, caudal ou interlaminar.

Ressalta-se que a seleção dos pacientes inclusos no trabalho foi feita por meio de um estudo de imagem (confirmando prolapso discal lombar) ou por teste de elevação do membro inferior positivo, restringindo a inclusão de estudos utilizados em outras revisões prévias. Tal ação foi realizada em razão de o diagnóstico de lombalgia não ser consistentemente separado nem definido, com vários estudos agrupando patologias do disco intervertebral.

Há um consenso sobre sintomas diagnósticos clínicos propostos, já que as diretrizes mais recentes recomendam diminuição do uso de exames de imagem em pacientes com lombalgia aguda. Porém, o consenso ainda não estava definido até a conclusão deste trabalho.

Dr. Guilherme Henrique Ricardo da Costa
Médico ortopedista membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
Fellow do Grupo de Coluna do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP) CRM-SP 167.997

Dr. Allan Hiroshi de Araújo Ono
Médico ortopedista membro da SBOT e da Sociedade Brasileira de Coluna
Médico-assistente do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC-FMUSP CRM-SP 135.509 | RQE 40.604

Código Zinc: SABR.SA.19.07.1341

REFERÊNCIAS

  1. Huang R, Meng Z, Cao Y, Yu J, Wang S, Luo C, Yu L, et al.

    Nonsurgical medical treatment in the management of pain due to lumbar disc prolapse: a network meta-analysis.

    Seminars in Arthritis & Rheumatism. 2019