A marcha atópica refere-se à tendência da progressão típica da doença alérgica, manifestando-se primeiro em crianças como dermatite atópica e avançando para outras doenças alérgicas à medida que envelhecem. As doenças alérgicas mais comuns com relevância para o otorrinolaringologista pediátrico são alergia alimentar e rinite alérgica (RA).

Alergia alimentar

A alergia alimentar é uma resposta imunomediada específica e reprodutível a um alimento que tem um resultado adverso para a saúde. Entre as centenas de alérgenos alimentares, leite, trigo, ovo, soja, amendoim, nozes, mariscos e peixes são os mais comuns. O histórico do paciente é fundamental para determinar o diagnóstico de alergia alimentar, e evitar o alimento é estritamente a base do tratamento. Evitar alimentos pode resultar em deficiências nutricionais e, portanto, o aconselhamento nutricional e o monitoramento do crescimento são importantes para todas as crianças com alergias alimentares.

É importante que reações alérgicas graves sejam prontamente tratadas com epinefrina. Indivíduos com alergia alimentar devem sempre usar uma pulseira de alerta médico e portar um autoinjetor de epinefrina, dosado de acordo com o peso para crianças, armazenado nas condições adequadas e verificado regularmente para garantir que não tenha excedido a sua data de validade.

Há uma quantidade crescente de evidências que sugerem que a introdução não retardada e até precoce de alimentos de alto risco pode reduzir o risco de desenvolver alergia alimentar.

Rinite alérgica

A RA é definida como inflamação da mucosa nasal devida a uma resposta inadequada a um alérgeno inalatório mediada por imunoglobulina E (IgE).

A RA é incomum em crianças menores de 2 anos de idade, porque requer exposição repetida ao alérgeno para se desenvolver. A prevalência em crianças de 6 a 7 anos e de 13 a 14 anos é de aproximadamente 9% e 15%, respectivamente, e a maioria apresenta sintomas antes dos 20 anos de idade. A RA está associada a muitas outras condições. Até 50% dos indivíduos com RA têm asma. A conjuntivite está presente em até 60% dos indivíduos com RA, e sintomas consistentes com síndrome de alergia oral foram relatados em 25% das crianças com RA.

O sintoma mais comum da RA é a congestão nasal. Rinorreia, espirros, drenagem pós-nasal, tosse, fadiga, irritabilidade, olhos lacrimejantes, dor facial e coceira também são comuns.

Em relação à farmacoterapia, os corticoides intranasais são o tratamento mais eficaz para a RA. Corticoides intranasais de segunda geração têm biodisponbilidade sistêmica menor que 2%, entretanto, estudos não mostraram nenhum impacto no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal ou no crescimento de crianças em uso de corticoides tópicos. No entanto, recomendam-se o uso da menor dose eficaz e o monitoramento do crescimento em crianças tratadas com corticoides intranasais.

Os anti-histamínicos orais também são comumente usados para o tratamento da RA. Os anti-histamínicos de segunda geração são recomendados em crianças, pois apresentam efeitos colaterais anticolinérgicos mínimos e não atravessam a barreira hematoencefálica, tendo, portanto, menor risco de sedação. Entre esses medicamentos estão a cetirizina, a desloratadina, a fexofenadina, a levocetirizina e a loratadina.
A imunoterapia com alérgenos é geralmente indicada para o tratamento da RA se a farmacoterapia convencional falhar ou não for uma opção.

Acesso em 23 de setembro de 2019:  https://linkinghub.elsevier.com/retrieve/pii/S0030-6665(19)30105-7

REFERÊNCIAS

  1. Lee VS, Lin SY.

    Allergy and the Pediatric Otolaryngologist.

    Otolaryngol Clin North Am. 2019 Jul 25. pii: S0030-6665(19)30105-7.